[[legacy_image_241609]] Os números do Censo ainda estão sendo contabilizados. Mas uma das tradições de Santos independe de dados. Está no fato de a Cidade receber centenas de pessoas que a escolhem para morar quando chega o momento da aposentadoria, devido à qualidade de vida. E nem é preciso recorrer às estatísticas para constatar o número de idosos que residem em Santos. Basta andar pelo Município. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Também existe uma outra tendência que se evidencia há alguns anos. A quantidade de jovens que optam pela Cidade para estudar tem crescido de modo significativo. Só que, diferentemente do que acontecia dos anos 80 aos 90 – quando os entornos das universidades ficavam repletos de ônibus que traziam estudantes de São Paulo, do ABC e do restante do Litoral Paulista –, o que se vê agora é a mudança dos jovens para o Município durante o período acadêmico e, em alguns casos, para a vida toda. Mais fatores“Há uma série de fatores que pesam para a mudança para Santos. Tradicionalmente, as famílias têm casas de veraneio e isso facilita a vinda do jovem. Além disso, é uma cidade aprazível, com praias, jardins, vida noturna e está perto de São Paulo”, diz a coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Católica de Santos (UniSantos), Iara Candida Chalela Genovese. A docente lembra que a facilidade de locomoção é outro ponto favorável. Para a professora de Direito e coordenadora de área da Universidade São Judas - Campus Unimonte, Renata Fiore, Santos é um polo de empregos muito grande, sobretudo no segmento portuário, e esse se torna mais um fator para o processo migratório. “É um movimento recente e que vem crescendo. E essa mudança cria responsabilidade e autonomia. Esse jovem vai encontrar a prática do agir consciente, se organizar e projetar o futuro. Isso traz um jovem mais maduro para o mercado de trabalho. E cabe a nós oferecer tutoria para esses alunos”. De MinasHistórias de vida curtas, quilômetros longos percorridos. Roberta da Silva Chiquito está no terceiro semestre de Administração da UniSantos. E não hesitou em vencer os quase 350 km que separam Santos de Itamonte, cidade ao Sul de Minas Gerais. Menos receio ainda teve ao deixar um lugar com pouco mais de 15 mil habitantes para residir em um Município com mais de 400 mil. “Foram diversos fatores (para escolher Santos). Em comparação com Itamonte, há mais possibilidades”. A estudante já morou no Embaré e, hoje, reside na Encruzilhada, perto da universidade. A adaptação não foi difícil, pois ela já tinha contato com a Cidade na infância. “No início, foi fácil fazer amizades e me adaptar à cultura local”. Roberta gosta de caminhar pela orla e ver o pôr do sol e, hoje, não planeja deixar a Cidade nem depois de formada. “Todos meus projetos e planos são fixos em Santos”. Interior de SPDesde que nasceu, em 2003, Isabela Nais Silva jamais deixou a pacata Dois Córregos por um longo período. Só que a faculdade de Publicidade e Propaganda mais próxima de sua residência disponibilizava o curso só à noite e os seus pais estavam temerosos com relação à segurança da filha. Foi nesse momento que uma possibilidade foi aberta: uma tia de Isabela é moradora da Vila Mathias e, em Santos, o curso também é oferecido de manhã. Foi o bastante para que, em fevereiro de 2022, Isabela deixasse sua cidade natal no Interior do Estado e viajasse os 368 km até Santos. Estava iniciada, assim, uma nova vida. “Para mim, foi tudo muito diferente. Saí de uma cidade com cerca de 25 mil habitantes para morar em Santos. E cheguei a um Município que oferece de tudo. Foi um impacto bem grande. Então, no começo, eu tive um pouco de dificuldade para me localizar, tanto que andava bastante em carros de aplicativo para não correr o risco de me perder. E também contei com o auxílio das amigas que fiz”, conta a estudante. “Aqui tem muita coisa que não tem lá”, completa. Foram cerca de seis meses até Isabela sentir-se mais adaptada. Hoje, a universitária já consegue pegar alguns ônibus. E não deixa de prestar atenção em tudo e em todos quando está na rua. “Como eu vim de uma cidade muito tranquila, nunca tinha visto o risco da violência de perto”. [[legacy_image_241610]] A mudança apenas não tirou de Isabela um hábito bastante comum em pequenas cidades do Interior, e que acabou reforçado em Santos, pelo fato de a tia residir no mesmo bairro onde está a universidade. “Vou para as aulas a pé e chego em cinco minutos. Vejo que muita gente faz as coisas a pé em Santos”. Agora, Isabela prepara uma nova mudança. Ela deixou o curso que a fez tornar-se moradora de Santos e está migrando para Psicologia. Prestes a completar um ano no Município, a estudante não pensa em voltar a morar em Dois Córregos por razões profissionais. “Em Santos, existem mais oportunidades e, se eu ficar na Cidade, vou me tornar uma profissional melhor”, conclui. Oportunidades existentes pesam Eles escolheram Santos na hora de cursar a universidade, mas não estavam tão longe antes disso. Mesmo assim, têm certeza de que a melhor decisão foi tomada e ir embora é uma ideia fora dos planos nesse momento.. Santos jamais foi um lugar novo para Gustavo Bertoldi. Pelo contrário. Nascido em Registro, no Vale do Ribeira, ele costumava passar as férias de fim de ano na casa de familiares por parte de mãe em Guarujá e, costumeiramente, atravessava para Santos. Até que, em 2021, surgiu a oportunidade de uma mudança para a Cidade. Ele estava matriculado em um curso pré-vestibular e tinha a ideia de passar um ano em Santos. Só que os seus planos sofreram alterações. Foi a partir do resultado do Sistema de Seleção Unificada (SiSu) que a vida do jovem foi redirecionada. Gustavo Bertoldi, a princípio, teria oportunidades em universidades localizadas em Pelotas (Rio Grande do Sul) e Guarapuava (Paraná). Mas a distância pesou. “Entre sair de Registro e ir para o Sul ou para Santos, onde eu também tinha sido aprovado, fiz a minha escolha, até porque o curso é bom e a universidade tem bons convênios”. [[legacy_image_241611]] Matriculado na faculdade de Jornalismo, o estudante passou a morar com a avó no Embaré, em uma área cuja identificação mostra como está familiarizado com a Cidade. “Minha avó mora no Canal 4”, dispara. O jovem não precisou passar por uma grande adaptação, mas percebeu algumas diferenças em relação à vida que levava em Registro. Ele tem até uma maneira de definir o Município que escolheu para morar: “Santos é ideal para quem sai de uma cidade menor. É uma cidade grande, que tem muita coisa para fazer, bastante coisa acontecendo, tem de tudo e não é a loucura de uma metrópole”. O universitário destaca as novas amizades que estabeleceu em Santos. E, inclusive, pensa em permanecer no Município, a não ser que a vida o direcione novamente. “Se fosse para mudar, seria apenas por motivos profissionais”. De MongaguáClara Gouveia Marx esteve longe, mas com raízes na região. Nascida em Praia Grande e moradora de Mongaguá, seguiu para Serranópolis do Iguaçu (Paraná) aos 11 anos, quando a irmã foi cursar o Ensino Superior. A família regressou em 2020, quando ela estava para concluir o Ensino Médio. Poderia ter retornado ao Paraná, mas o pai optou pela permanência. Pela qualidade das universidades locais, escolheu a Cidade, que costumava frequentar na infância. “Gosto de Santos por ser uma cidade grande e que tem oportunidades de trabalho. Ir para São Paulo na juventude é complicado, porque o custo de vida é elevado”. Aos 19 anos e no terceiro semestre de Nutrição, Clara percorre o trajeto Mongaguá-Santos diariamente. Agora, deve passar mais tempo fora de casa, já que pretende começar os estágios em Santos. “E depois, quero trabalhar na área. Há muitas possibilidades no meio hospitalar e também em indústrias. Me chama a atenção a nutrição voltada à psicologia”. Deixando Santo AndréJá Lauriê Carolina Tenheri formou-se recentemente em Relações Internacionais. Nasceu e morou em Santo André (São Paulo) até pesquisar e verificar que em Santos havia os cursos que considerava ideais. Em 2019, dois fatores a levaram à mudança de cidade: a faculdade e a aposentadoria do pai, que queria morar no Litoral. “Consideramos a infraestrutura da universidade e fomos morar na Ponta da Praia. Com um ônibus, eu me deslocava para o campus. Agora, morando em Santo André, teria que ir de trem até São Paulo e pegar metrô para o Centro, além de um ônibus”. Com o dinheiro que economizou no transporte, Lauriê investiu na própria formação. “Tive a oportunidade de exercer dois trabalhos de monitoria e fazer contatos com grandes personagens do cenário internacional. Isso fez total diferença”. Hoje, aos 23 anos, vive os encantos de Santos. Gosta de ver os navios que entram e saem do Porto, e costuma visitar embarcações que abrem as portas para o público. “Curto a Fonte do Sapo, fui ao Monte Serrat e frequento a área da Ilha Urubuqueçaba”