Detalhe do Monumento ao Soldado Constitucionalista, na Praça José Bonifácio, no Centro: memória (à esquerda); João da Cruz Batista foi o último santista sobrevivente do conflito (à direita) (Fernanda Luz Arquivo/AT e Matheus Tagé/ArquivoAT) Santos lembrará os combatentes da Revolução Constitucionalista de 1932 numa solenidade cívica em alusão aos 92 anos do início do conflito, no dia 9. A Associação dos Combatentes da Cidade entregará medalhas na Sala Princesa Isabel, no Paço Municipal, no Centro, a partir das 10 horas de terça-feira (9). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A celebração ocorreria na Praça das Bandeiras, no Gonzaga. Mas, por recomendação da Defesa Civil, devido à previsão de chuva, o local foi alterado. Não há mais ex-combatentes santistas vivos. O último deles morreu em 11 de julho de 2018: João da Cruz Batista, aos 107 anos. O Movimento A Revolução Constitucionalista de 1932 foi o mais intenso conflito armado ocorrido no Estado e durou mais de 80 dias. Começou em 9 de julho e terminou nos primeiros dias de outubro. O movimento opôs São Paulo ao restante do País. O principal objetivo era derrubar o governo, então provisório, do presidente Getulio Vargas, que era considerado um ditador pelos combatentes e que ficou no cargo até 1945, quando foi deposto. Participantes do movimento também queriam a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil, o que acabou ocorrendo em 1934. Cerca de 35 mil paulistas de todo o Estado lutaram contra 100 mil soldados aliados a Vargas. Em torno de 890 pessoas morreram nos combates, dos quais 41 santistas em campos de batalha e, ao todo, mais de 60 em decorrência de ferimentos. Há um mausoléu de ex-combatentes no Cemitério da Areia Branca. Aproximadamente 3 mil pessoas partiram de Santos para os confrontos ou atuaram como voluntárias. Fazendeiros paulistas, estudantes universitários, comerciantes e profissionais liberais estavam entre os participantes do movimento, que exigia convocação de eleições. As mortes dos jovens Martins, Miraguaia, Dráuzio e Camargo (perenizados na sigla MMDC), em 23 de maio de 1932, durante confronto com forças do Governo Federal, foram o estopim da revolta popular. A Revolução Constitucionalista terminou com a deposição do Governo Estadual, então chefiado pelo governador Pedro de Toledo. O coronel Herculano de Carvalho, comandante-geral da polícia paulista, assumiu o poder interinamente até a chegada de autoridades federais.