[[legacy_image_283344]] Em 2023, Santos recebe a 11ª edição do Santos Jazz Festival, que reunirá artistas nacionais e internacionais em quatro dias de shows, que acontecerão a partir de quinta-feira, indo até o próximo domingo. A diretora-executiva do festival, Denise Covas, e o diretor de produção, Jamir Lopes, falaram sobre a programação do evento e sobre o atual cenário da cena musical na Cidade e na Baixada Santista. Para esta edição, quantos shows serão realizados e onde os palcos serão montados?Denise: São 14 shows no total, sendo o primeiro na abertura, que acontecerá na quinta-feira, no Teatro do Sesc Santos. A abertura contará com a Orquestra Sinfônica de Santos e participação da Jazz Big Band, com Vanessa Moreno e Ayrton Montarroyos fazendo homenagem à obra de Chico Buarque e Edu Lobo. Na sexta-feira e no sábado, o palco ficará no Valongo, no Largo Marquês de Monte Alegre. Os eventos são gratuitos, mas, no Sesc, é preciso retirar ingresso. Normalmente, essa retirada é feita na manhã do próprio dia. No domingo, teremos programação para a criançada, em um palco que será montado no prédio da Bolsa de Café, ali no Museu do Café, localizado na Rua XV de Novembro. O festival conta com a participação de artistas nacionais e internacionais. Quais as principais atrações?Jamir: A gente sempre faz a mistura, em todas as edições do Santos Jazz Festival, de talentos nacionais, nomes internacionais e, claro, artistas da nossa região. Nesta edição, que é a 11ª, essa fórmula não será diferente. Depois do show de abertura de quinta-feira, teremos na sexta-feira a Jazz Big Band com a Sabrina Parlatore, que tem uma grande carreira na televisão como apresentadora, mas há 10 anos assumiu a carreira artística como cantora. Tem o Alabama Mike, que é um bluezeiro americano que está fazendo turnê nos principais festivais do Brasil. Tem a Paula Lima fazendo homenagem à grande Rita Lee e também o Projeto Rabisco com o grande percussionista Da Lua. No domingo que vem, a programação conta com a Orquestra de Sucata, com o Zero Beto, que é um arte-educador da nossa cidade, e com o Coletivo Querô, do Instituto Arte no Dique, que fecha o festival. O show de abertura fará uma homenagem para Chico Buarque e Edu Lobo. Como vai ser essa apresentação?Denise: O show terá a Orquestra Sinfônica Municipal de Santos com a participação da Jazz Big Band, para dar aquele caráter mais jazzístico para os arranjos da orquestra. Como convidados, teremos dois intérpretes que são da nova cena musical: Ayrton Montarroyos e Vanessa Moreno. Os dois, inclusive, têm acompanhado o Edu Lobo na turnê que ele vem fazendo. Os dois, Chico Buarque e Edu Lobo, têm uma obra em comum, os arranjos do Grande Circo Místico, que completa 40 anos em 2023. O show vai ser lindo, as pessoas conhecem quase 100% das músicas. A seleção das músicas está incrível e o Sesc é uma casa belíssima, com acústica linda, estacionamento e todo o conforto. Estamos felizes em poder receber a Orquestra Sinfônica de volta, porque ela já participou em outras edições e agora retorna com esse projeto lindo. Quem não conseguir comparecer consegue assistir ao show?Denise: Sabemos que todo mundo quer assistir presencialmente, porque vai ser um show lindo, mas, para quem eventualmente não conseguir comparecer, vamos também transmitir esse show pelo nosso canal do YouTube e pelas redes sociais do festival. Nas últimas 10 edições do Santos Jazz Festival, quantos artistas já foram homenageados?Jamir: Muita gente boa. Começamos a primeira edição, em 2012, homenageando Hermeto Pascoal, o grande bruxo da música mundial. Depois, Egberto Gismonti, que fez um show lindo na nossa cidade. O terceiro foi César Camargo Mariano, que comandou um show com a nossa Orquestra na oportunidade. Outro astro da nossa Música Popular Brasileira a ser homenageado foi o João Donato. Depois, fomos fazendo edições mais temáticas. Gostamos de colocar propósitos no Festival e buscamos influenciar o público. Em outras edições, homenageamos mulheres, a diversidade e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nesta edição, levantamos a bandeira da sustentabilidade. Denise: Também fizemos uma homenagem ao Tom Jobim na 5ª edição do festival. A única homenagem póstuma que fizemos foi para ele. A abertura teve um show lindo em que o filho e o neto dele tocaram. Foi inesquecível! O festival levanta bandeiras de outras causas sociais?Denise: Prezamos pela diversidade, seja ela etária, porque a programação atinge todas as gerações, racial, ou de gênero. Temos mais bandas protagonizadas por mulheres, como a Funmilayo Afrobeat, que é composta por 11 mulheres negras.Toda a nossa equipe também tem esse equilíbrio, para que haja menos desigualdade. Fazemos o festival sempre com esses valores em mente e, neste ano, a questão ambiental entra mais forte. A cultura também tem que colaborar na diminuição de resíduos e, por isso, fizemos uma parceria com a Lixo Zero Baixada Santista, que vai nos ajudar com isso. Faremos uma série de ações para diminuir a quantidade de plásticos e resíduos não reaproveitáveis ou recicláveis. O que falta para fortalecer a cena musical na região? Jamir: Quem frequenta a noite santista sabe que não temos muitas opções para nos divertirmos. Isso prejudica muito a vida, a essência da nossa cidade, que sempre foi de celebração e união. Algumas legislações antigas precisam estar se adequando, tornando-se mais tolerantes para não deixar a cidade tão careta e sem campo para a cultura. Santos é um celeiro de bons músicos, e essa falta de espaços para se apresentarem acaba não só travando o desenvolvimento deles, mas também deixando a cidade mais triste. Denise: Os empresários também têm que ter uma segurança jurídica. Para ter uma casa noturna que receba músicos, é necessário um investimento grande. Para adequar, por exemplo, imóveis na região do Centro da Cidade, que tem muitos casarões tombados e semitombados, é muito difícil. É difícil até para ter o alvará do Corpo de Bombeiros completo porque as exigências são muito grandes. Esses prédios são muito antigos e, às vezes, não conseguem atender essas demandas mais atuais. Jamir: Muitos músicos são obrigados a sair da Cidade. Por exemplo, Felipe Dias, que é um grande guitarrista e premiado mundialmente, pela segunda vez, como um dos melhores instrumentistas de blues, está morando em São Paulo há alguns anos. Temos aqui em Santos uma joia que é a banda Quizumba Latina, da cantora Monna. Até quando vão conseguir continuar aqui? Porque tem pouco campo de trabalho e porque a legislação é muito antiga. Além disso, infelizmente, parte da população de Santos é muito intolerante, extremamente conservadora, o que prejudica a vida da Cidade, que sempre foi referência na parte cultural. Isso a gente não pode perder.