[[legacy_image_5484]] Encarar os 402 degraus da íngreme escadaria é um momento de renovação da fé para o coordenador operacional Marconi José da Silva, de 35 anos. Enquanto subia o Monte Serrat, ele refletia sobre as graças alcançadas. Entre elas, a que possibilitou a cada ano seguir o andor com a imagem de Nossa Senhora, o que ocorreu no final da tarde do último domingo (25). A procissão deu início a um dos mais tradicionais festejos de Santos: a celebração do dia da Padroeira da Cidade, em 8 de setembro. “Estou aqui hoje graças a um milagre de Nossa Senhora de Monte Serrat. É com satisfação e devoção que venho a cada ano. Também para lembrar que estou aqui graças ao amor e caridade dela”, diz o morador do bairro Humaitá, de São Vicente. Marconi José da Silva recebeu o diagnóstico de um nódulo no pescoço. “O primeiro exame deu que (o nódulo) tinha o tamanho de um limão. Era uma cirurgia complicada. Fiquei arrasado”, continua Silva. Dentre as complicações, havia o risco de nunca mais voltar a andar. “Foi quando me apeguei à fé que tenho em Nossa Senhora do Monte Serrat. Ela é a mensageira mais próxima de nós para com Jesus. Pedi para me dar forças. Prometi que se saísse vivo, viria todos os anos aqui, em amor à padroeira”, diz, com um largo sorriso. A promessa foi feita no Santuário Nacional de Nossa Senhora, período em que o vicentino começou uma peregrinação aos templos católicos em homenagem à mãe de Cristo. O apego à fé deu-se após mais de um médico ter reduzido as chances de sucesso na complexa operação. “Sabia que Maria não me deixaria desamparado. Tinha fé que venceria esse obstáculo”. Às vésperas da cirurgia, a equipe médica pediu novos exames para verificar as dimensões do nódulo. Ocasião em que, acredita ele, “as mãos invisíveis e misericordiosas” da Padroeira de Santos operaram o maior milagre na vida de Silva. “O nódulo desapareceu por completo. Não havia mais nada, nem marca. Os médicos não acreditaram nos exames e me levaram para à sala de cirurgia. Só perceberam que estava curado quando me abriram e viram que o nódulo tinha sumido. Daquele dia em diante, me senti ainda mais tocado por Nossa Senhora”, diz ele. Missa A celebração em homenagem à Padroeira santista teve início às 16 horas, com a realização de uma missa na capela no alto do morro. Após o ato religioso, a imagem da Virgem desceu a escadaria nos braços de soldados do Exército, em procissão acompanhada degrau por degrau pelos fiéis. Festa no morro Os moradores do Monte Serrat esperavam nas janelas ou nas varandas de suas casas para também participar dos cânticos e orações em louvor à padroeira. O trajeto pelas escadarias era enfeitado com bandeirinhas, confeccionadas pelos voluntários, como a cabeleireira Eliane Rodrigues Cesário. “Todos os anos, os vizinhos se ajudam para enfeitar a comunidade. É momento de celebração”, diz. A tradição começou com seus familiares, moradores do Monte Serrat, e se renova a cada ano. Após descer os degraus da escadaria do morro, a imagem de Nossa Senhora foi colocada no caminhão da Brigada de Incêndio da Guarda Portuária e conduzida à Catedral de Santos. A imagem ficará na igreja até 8 de setembro, o Dia da Padroeira, quando, então, retornará ao alto do Monte Serrat.