Alagamentos na Zona Noroeste são antigos: bairros como Caneleira, Santa Maria e São Jorge ficam inundados, causando transtornos aos moradores (Carlos Nogueira/AT) Basta que chova acima da média e a maré suba para que um problema antigo de Santos volte à tona: os alagamentos na Zona Noroeste. Nessas ocasiões, bairros como Caneleira, Santa Maria e São Jorge ficam inundados, causando transtornos aos moradores. Um dos exemplos mais recentes disso foi no dia 4 de junho, quando o Município registrou mais de 95 milímetros de chuva nas primeiras horas do dia. O secretário de Serviços Públicos de Santos, Wagner Ramos, explicou que a solução para o problema passa pela construção de comportas com bombeamentos. Dez estações elevatórias são previstas pela Administração Municipal. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o secretário, o problema das enchentes é causado, principalmente, por dois fatores. O primeiro é que a maior parte da Zona Noroeste está abaixo do nível das marés mais altas. “Quando tem uma maré alta, acima de 1,5 metro, junto a uma ressaca forte e ventos, as águas ficam represadas dentro das regiões dos rios, adentram a Baía de Santos e acabam sendo retidas pelos ventos, provocando a elevação da água dentro das áreas dos bairros”, afirma. O problema é acentuado pela ocorrência de chuvas. Contudo, Ramos pontua que as inundações podem acontecer mesmo quando não chove, em função de o nível dos bairros estar abaixo da maré. O segundo fator que contribui para os alagamentos é o sistema de drenagem da Zona Noroeste, que, segundo a Prefeitura de Santos, sofreu obstruções por descarte irregular de lixo e desgaste pelo tempo. Além disso, o Município afirma que as tubulações têm dimensões inadequadas à situação atual dos bairros. Solução Segundo Ramos, a solução para este problema passa pela construção das comportas “com bombeamentos que possibilitem tirar a água da chuva para fora do bairro, garantindo que não haja entrada da maré alta dentro dessas áreas. É a única solução viável e possível”. Em nota, a Prefeitura de Santos esclareceu que, para lidar com o problema, executa um conjunto de ações que garantiu a substituição das tubulações por estruturas maiores, a desobstrução e a limpeza regular do sistema, além de obras de drenagem. Um exemplo é o Programa Nova Entrada de Santos, realizado desde 2013 em parceria entre a Administração Municipal e o Governo do Estado, com investimento superior a R\$ 700 milhões. Segundo a Prefeitura, a iniciativa já garantiu 7,6 quilômetros em obras de drenagem, incluindo limpeza, substituição e ampliação de tubulações e galerias para escoamento das águas das chuvas para o estuário. Outra iniciativa é o programa Santos Novos Tempos, que já teve investimento de R\$ 242 milhões através de financiamento com o Banco Mundial e recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal. Conforme a Prefeitura, o programa proporcionou obras de drenagem nos bairros Saboó, Chico de Paula e Vila Haddad, além do desassoreamento do Rio Saboó e a implantação de comportas. Ramos destaca, além disso, a construção da estação elevatória com comportas, entregue à população em maio do ano passado. “A estação, que fica no final da Avenida Haroldo de Camargo, faz com que parte do Bairro Castelo passe a ficar protegida”, esclarece o secretário, apontando que outras partes do bairro não ficam dentro da área de proteção da estação. Trecho das Areia Branca e do Jardim Guassu, em São Vicente, também são beneficiados pela estação, de acordo com a Prefeitura santista. A obra, que tem como objetivo conter os alagamentos, somou investimentos de R\$ 38,1 milhões. “Há uma soma de estações que têm que ser feitas e o município está fazendo os investimentos para a construção delas”, reforça o secretário. Mais estações Em abril, o município firmou um termo de cooperação com a concessionária Ecovias, a MRS Logística e a Autoridade Portuária de Santos (APS) para a construção de mais duas estações elevatórias com comportas. A primeira será construída em uma área pertencente ao Governo do Estado, na entrada da cidade. Ali, será instalado um reservatório e uma estação com capacidade de bombeamento de 5 metros cúbicos de água por segundo. De acordo com a Administração Municipal, caberá à MRS e à APS validar os projetos, visto que a tubulação de drenagem passa por suas áreas. A obra, que será executada pela Ecovias, tem custo de mais de R\$ 60 milhões e previsão de início para o segundo semestre deste ano, dependendo do licenciamento ambiental, com duração de dois anos. Outra estação deve ter sua construção iniciada em agosto, juntamente com a execução das obras de canalização do Rio Lenheiros, no Saboó. O serviço será realizado em parceria com a MRS Logística, que terá o auxílio do Governo Federal. As obras consistem na construção de galerias para drenar as águas das chuvas das áreas urbanas, sob a linha férrea até o Rio Lenheiros. Os serviços devem ser finalizados em julho de 2026. Financiamento aprovado por senadores permitirá programa de intervenções O secretário Wagner Ramos afirmou que estão previstas dez estações elevatórias para serem construídas. No momento, o município se concentra em buscar mais investimentos para viabilizar esses projetos. Os recursos são buscados por meio do programa Santos Mais, que prevê intervenções de macrodrenagem, acessibilidade, inovação e sustentabilidade. Na semana passada, o plenário do Senado aprovou a obtenção de financiamento junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF, na sigla em espanhol) de US\$ 105 milhões (cerca de R\$ 550 milhões). A Prefeitura acrescenta que, ao todo, o Santos Mais está estimado em US\$ 131,4 milhões (R\$ 690 milhões), incluindo a contrapartida municipal de US\$ 26,3 milhões (R\$ 138 milhões). Desse total, serão investidos US\$94 milhões (R\$ 495 milhões) para macrodrenagem e habitação.