[[legacy_image_241607]] Há quem defenda a tese de que a Independência do Brasil poderia ter sido proclamada em Santos. Houve quem registrasse a chegada, pelo Porto de Santos, de um Peugeot com motor Daimler de 3,5 cavalos de potência, por encomenda de Santos Dumont. Conhecido como Voiturette, por sua semelhança com uma charrete, foi o primeiro carro a circular no Brasil. Teve ainda quem recebesse um dos 200 aparelhos de TV desembarcados no Porto de Santos, com a presença de Assis Chateaubriand, momento que marcou, definitivamente, uma das revoluções da comunicação no Brasil. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ou seja, Santos está na história como palco, sede e porta de entrada para diversos acontecimentos históricos. A Cidade por onde ingressaram milhares de imigrantes que ajudaram a desenvolver o Brasil é a mesma pela qual o café começou a ser exportado, o que assegurava a riqueza do País. E quando um governo adotava medidas impopulares, em Santos encontrava uma resistência bastante consistente. Trata-se, portanto, de uma cidade de vanguarda, assim apresentando-se antes mesmo de ser considerada uma cidade. Santos ainda era uma vila no final do século 18 quando o jovem José Bonifácio de Andrada e Silva embarcou para Coimbra, em Portugal, a fim de estudar. Lá, se notabilizou como cientista e mineralogista. Desenvolveu também projetos na área de meio ambiente, como o de reflorestamento e o tratado de pesca de baleias. Tinha ainda visões amplas de política, de como as coisas deveriam ser conduzidas. E aprendeu muito com a Revolução Francesa, só que nunca deixou Santos sair do pensamento. “Quando ele volta ao Brasil em 1820, retorna para Santos e se estabelece, mas não fica muito tempo, pois o Governo do Reino pede para que ajude dom Pedro I. Então, José Bonifácio vai para o Rio de Janeiro, se torna conselheiro e auxilia no processo que culminou na independência do Brasil. Ele articulou com a imperatriz Leopoldina, justamente por eles serem intelectuais e falarem vários idiomas. Ele sempre mantinha Santos na sua mente”, diz o jornalista e pesquisador da história de Santos Sergio Willians. A paixão pela Cidade era tão grande que, de acordo com Willians, há quem diga que Bonifácio arquitetou para que a independência fosse declarada em Santos. “A ideia era fazer com que Paulo Bregaro, correio da Coroa, entregasse as cartas que vieram das cortes de Portugal, com conteúdo exclusivo, nas mãos de dom Pedro I em Santos. E Bonifácio sabia que dom Pedro I fatalmente iria romper as relações com Portugal e tornar o Brasil independente”. Bregaro teria encontrado o filho de dom João VI quando ele retornava para São Paulo. “José Bonifácio fica no governo, depois é exilado, volta como tutor de dom Pedro II, é exilado novamente e vive seus últimos dias na Ilha de Paquetá, no Rio. Seu corpo vai para Niterói e, depois, para Santos. É um nome tão forte que, em 1839, quando Santos é elevada à categoria de cidade, houve quem defendesse que o nome fosse Bonifácia”, diz Willians.