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Sexta-feira

23 de Agosto de 2019

Santos cobra MSC por vacinação contra o sarampo

Prefeitura vai requerer da armadora R$ 110 mil pelas campanhas de imunização contra o sarampo em passageiros do Seaview

A Prefeitura de Santos vai cobrar R$ 110.351,29 da MSC pelos mutirões de vacinação contra o sarampo em passageiros do MSC Seaview. O ressarcimento seria em equipamentos para as unidades municipais de saúde.

Os R$ 110,3 mil pleiteados pela gestão Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) correspondem às remunerações por hora dos servidores que atuaram na investigação epidemiológica e nas 11 ações de imunização no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini (Concais) e na embarcação.

Foram, em média, 60 profissionais envolvidos em cada dia de mutirão, num total de 614 horas trabalhadas, segundo o secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz.

A Prefeitura agiu porque o MSC Seaview sofreu um surto de sarampo a bordo a partir do início de fevereiro, com a infecção de 19 tripulantes. Quatro moradores de Santos também contraíram a doença.

Com a confirmação de que o vírus estava em circulação no cruzeiro, a Prefeitura começou a fazer ações de vacinação em massa nos passageiros em todas as escalas do transatlântico no Porto de Santos. Cerca de 50 mil viajantes passaram pela triagem, sendo que quase 30 mil deles receberam injeções de proteção contra o vírus.

“Colocamos servidores de Santos, utilizando recursos do Município, para vacinar, em terminal e navio privados, pessoas que, em sua maioria, nem da região são. Nós arcamos com gasto expressivo para fazer algo que atingiu um público que não é local”, comentou o secretário municipal de Saúde, em entrevista exclusiva para A Tribuna, ao explicar por que espera uma compensação da MSC.

Responsabilidade Social

Fábio disse apostar na responsabilidade social da empresa. “Não foram poucos os momentos em que a MSC, durante a sua trajetória, ajudou o Poder Público. Nossa intenção é simples: levar os dados e esperar o movimento da MSC de colaborar com o Município”.

Em ofício à companhia, serão pedidos câmaras de armazenamento de vacinas, geradores e computadores para as policlínicas santistas. As quantidades não foram informadas.

Na conta do ressarcimento não estão incluídas as despesas dos materiais utilizados e das ações extras de imunização nas unidades de saúde e nas áreas de residência dos munícipes infectados. “Há algum nível de rotina em situações como essas”.

O secretário descartou recorrer à Justiça e destacou que, neste momento, o clima é “absolutamente amigável”. “Nossa intenção é de chamar a atenção da empresa para incentivá-la a atuar junto ao Município”.

Em nota, a MSC declarou está comprometida "em trabalhar em conjunto com a Prefeitura fazendo essa contribuição e reiterando, assim, o nosso compromisso com a comunidade e o município de Santos". "O diálogo e a parceria entre a empresa e o Poder Público são fundamentais e queremos tornar nosso relacionamento ainda mais forte, sempre com base na transparência".

A empresa informou ainda que, nas próximas semanas, se reunirá com a Prefeitura de Santos "para definir conjuntamente os passos seguintes desta e de futuras ações".