A antecipação em um mês do início do Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), que entrará em vigor em 1º de novembro, foi oficializada pela Prefeitura de Santos no Diário Oficial. Segundo a Administração Municipal, o objetivo é reforçar a prevenção dos impactos previstos pelo fenômeno El Niño. No PPDC, haverá ampliação do monitoramento de áreas vulneráveis e ações preventivas para proteger a população na época de maior risco. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o coordenador da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias, a principal preocupação do plano – cujo encerramento se dará em 30 de abril de 2027 – está voltada aos riscos de escorregamentos nos morros, que aumentam em função do volume acumulado de chuva ao longo de vários dias, condição intensificada pelo fenômeno climático. “A chuva acima da média já foi percebida. Setembro está com recorde de volume acumulado. O mês não acabou e ele já ultrapassa os 430 milímetros”, afirma Onias, que destaca a média histórica do mês: 139 milímetros. “Sabemos que, com a chuva antecipada, o solo vai ficando mais saturado no longo prazo e, chegando novembro, é bem provável que comecem as ocorrências de deslizamentos”, resume. Ainda segundo Onias, os temporais concentrados também preocupam a Defesa Civil de Santos, pois provocam alagamentos, ressacas e dificultam o escoamento da água da chuva devido à elevação da maré. A tendência é que o El Niño continue a provocar chuvas intensas e frequentes na primavera, que começa hoje (mais detalhes na página 5). Além disso, o coordenador da Defesa Civil de Santos alerta para a possibilidade de ondas de calor e períodos prolongados de estiagem. “Por isso, antecipamos a operação, para que as equipes estejam preparadas para responder aos primeiros eventos da estação”. De acordo com a Administração Municipal, as áreas de morro são prioritárias no monitoramento. Ao todo, a Cidade possui 17 morros na Área Insular e outros dois na Área Continental. “Se necessário, a Defesa Civil poderá realizar a remoção preventiva de famílias residentes em áreas classificadas como de alto risco”, afirmou a Prefeitura, em nota. Ações Entre as ações previstas pelo PPDC estão a capacitação de agentes comunitários de saúde para orientar a população, realizada na última semana, a ampliação da limpeza dos canais de drenagem e a implantação de rotatórias verdes, que ajudam na infiltração da água da chuva e na redução de alagamentos. Outra medida em preparação é a implantação de refúgios climáticos para atender, principalmente, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades em períodos de calor extremo. A Prefeitura também vai reforçar as ações preventivas nas áreas de encostas. Cerca de 50 famílias que vivem em locais de alto risco devem ser atendidas com medidas preventivas entre agosto e setembro, antes do período de maior incidência de chuvas. Conforme o Município, o efetivo da Defesa Civil de Santos pode ser ampliado para mais de três vezes o número atual, de cerca de 40 servidores, no PPDC, com mobilização de profissionais de dez secretarias municipais, incluindo engenheiros, assistentes sociais, fiscais, motoristas, operadores de máquinas e trabalhadores de serviços operacionais. “As ações são preventivas, com visitas às áreas de risco para verificar as condições e orientar os moradores. Também vamos atender as ocorrências, com abrigamento de famílias, desobstrução de vias e, quando necessário, pequenas obras”, explica Onias. Apoio da população é fundamental A Defesa Civil de Santos também reforça a importância da participação dos moradores das áreas de risco no monitoramento das encostas. Segundo Daniel Onias, qualquer alteração no solo, nas proximidades ou na própria estrutura das casas deve ser comunicada ao órgão para avaliação. “É fundamental que eles tenham essa noção, essa percepção de risco, e observem qualquer alteração ali no solo, nas imediações da casa ou na própria casa. Antecipadamente, não permaneçam nos locais e avisem a Defesa Civil para a gente poder acompanhar, orientar e avaliar o risco no local”, orienta. Entre os sinais que exigem atenção estão trincas e rachaduras em pisos e paredes, inclinação de árvores e postes, surgimento de água barrenta nas encostas, desníveis no terreno e muros ou paredes que apresentem alterações. “Quando o solo fica mais encharcado e começa a ter alguma movimentação, os primeiros sinais são trincas, rachaduras no piso e na parede da casa”, explica. Além da comunicação de possíveis ocorrências, a orientação é que os moradores acompanhem as previsões meteorológicas e se cadastrem para receber os alertas da Defesa Civil. “É importante que eles acompanhem as previsões meteorológicas dos órgãos oficiais e também se cadastrem para receber nossos alertas, para que a gente possa avisá-los antecipadamente sempre que tiver a previsão de evento mais severo”. Cuidados Daniel Onias também recomenda cuidados preventivos nas próprias residências, como manter as calhas limpas, não jogar lixo nas encostas e evitar o lançamento de água diretamente no solo. A recomendação é conduzir a água para sistemas de drenagem adequados, reduzindo o risco de agravamento da instabilidade das encostas.