Monitoramento da Defesa Civil em áreas vulneráveis, como os Morros da Cidade, e ações preventivas serão intensificados até 30 de abril (Alexsander Ferraz/AT) Está vigente desde domingo o Plano Preventivo da Defesa Civil (PPDC) em Santos. Foi antecipado pela primeira vez para reforçar a prevenção dos efeitos das fortes chuvas associadas ao fenômeno climático El Niño. O chefe da Defesa Civil, Daniel Onias, afirma que o monitoramento de áreas vulneráveis e as ações preventivas serão intensificados até 30 de abril. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A observação da previsão do tempo, porém, foi intensificada a partir do último dia 15, quando o Governo do Estado iniciou seu plano preventivo estadual. O plano municipal reúne ações de cerca de dez secretarias municipais. Na Defesa Civil, o número de servidores, em torno de 40, é triplicado. A Prefeitura acompanha as previsões meteorológicas, o acumulado de chuva e, quando necessário, faz vistorias de campo. Visitas A Defesa Civil faz visitas preventivas frequentes, diz Onias. “As equipes visitam as áreas para verificar as condições do local, orientar os moradores previamente e recomendar que se cadastrem para receber alertas por SMS, pelo número 40199.” A pasta também recomenda intervenções, como limpeza de galerias e sistemas de drenagem, reforma e manutenção de obras de contenção e de drenagem, especialmente nos Morros. “Também indicamos obras emergenciais e recomendamos podas preventivas de árvores”, acrescenta. Em conjunto com a assistência social do Município, preparam-se abrigos e definem-se locais que podem servir de acolhimento provisório. Orientações A Defesa Civil orienta os moradores de áreas de risco a observar possíveis sinais de movimentação do solo, como inclinação de árvores e postes, água barrenta, desníveis no terreno, trincas e rachaduras em pisos e paredes e estalos em rochas. Em casos do tipo, deve-se deixar o imóvel, procurar lugar seguro e ligar para 199. Também se indica manter calhas limpas, não jogar lixo nas encostas e evitar despejar água no solo, direcionando-a a sistemas de drenagem adequados. El Niño Este é um mês de atenção especial aos efeitos do El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação do ar e influencia chuvas e as temperaturas no planeta. O meteorologista Vitor Castilho, da Tempo OK, afirma essa mudança aumenta a probabilidade de eventos extremos, com “precipitações acima da média, secas severas, tempestades e ondas extremas de calor ou de frio”. O pico deve ocorrer nos próximos meses. “Entre o final de 2026 e o início de 2027, o Brasil continuará sob a influência direta desse padrão”. Na Baixada Santista, a geografia da região influencia os efeitos do fenômeno, devido à proximidade entre o oceano e o paredão da Serra do Mar: a umidade vinda do mar sobe a serra, esfria e forma nuvens carregadas, capazes de provocar chuva intensa em pouco tempo. Os riscos de deslizamentos de encostas e alagamentos aumentam quando as chuvas coincidem com marés altas e ressacas. Para dezembro, tende a haver temperaturas altas e pancadas de chuva irregulares. No início de 2027, menos chuvas, mas ainda com calor. Outras cidades Guarujá também antecipou o PPDC para o último dia 1º, com vigência até abril. Entre as ações previstas, estão o treinamento de lideranças comunitárias para orientar moradores de áreas de risco, palestras em escolas e a intensificação do monitoramento de encostas e dos serviços de limpeza de canais e morros. Em Bertioga, a Defesa Civil informou que a Operação Chuvas de Verão 2026/2027 foi motivada pela previsão de eventos climáticos extremos e pela chegada do El Niño, que podem antecipar temporais, picos de calor e inundações. Praia Grande aderiu, em 19 de outubro, ao Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil para Eventos Extremos do Estado, com monitoramento meteorológico e preparação para situações como tempestades, ondas de calor, estiagens, incêndios florestais e deslizamentos. Em São Vicente, estão mantidas ações de monitoramento e prevenção do plano de contingência para escorregamentos de encostas, com atenção às áreas de risco. Em Cubatão, os planos contra escorregamentos nos bairros-cota e para a Serra do Mar, no Polo Industrial, valem desde 15 de outubro e vão até 31 de março. Incluem monitoramento da chuva, da previsão meteorológica e vistorias de campo. Litoral Sul Peruíbe, Itanhaém e Mongaguá também anteciparam para este mês seus planos de contingência. Em Peruíbe, as medidas incluem desassorear o Rio Preto, limpar canais e galerias, obras de contenção e instalar sensores para monitorar o nível da água. Em Mongaguá, há monitoramento de áreas sujeitas a alagamentos, enchentes, desabamentos e vendavais, com atualizações relativas a possíveis impactos do El Niño. Itanhaém alterará seu plano de contingência em dezembro.