[[legacy_image_257548]] Uma das companhias aéreas mais conhecidas no País, a Latam Airlines Brasil conta com uma peça fundamental caiçara há quase 18 anos. Trata-se de Aline Mafra Cavalett, atualmente diretora de Vendas e Marketing, que nasceu e foi criada em Santos. Ela deixou a Baixada Santista para estudar e logo após a faculdade já ingressou na companhia, onde deu pequenos passos até chegar à diretoria. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quem vê a carreira de Aline não imagina que a mulher, de 43 anos, não pretendia trabalhar na indústria aérea quando ingressou na faculdade de Estatística. “Eu até tenho medo de voar de avião, então não estava nos meus planos. Mas, no final das contas, é uma indústria encantadora”, explica. Segundo Aline, o universo aéreo a conquistou principalmente por dois fatores. “Tanto porque a gente está falando de uma indústria de uma complexidade gigante simplesmente pela natureza do transporte, mas também porque é muito dinâmica, cheia de desafios”, ressalta, dizendo que esses foram os motivos para se interessar pela vaga na Latam, que ela conquistou após um processo seletivo e foi seu primeiro emprego, em 2005. Para chegar lá, porém, a santista precisou percorrer um longo caminho, começando pelo estudo. Aos 17 anos, ela deixou a casa em Santos e se mudou para o interior de São Paulo para fazer faculdade de Estatística em São Carlos. “Assim como todo mundo, fiz muitas provas de vestibular. Nunca foi meu plano estudar no interior, mas acabei sendo aprovada”, relata. Aline relembra que seu primeiro estágio foi em São Paulo, no Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Ela terminou a faculdade em 2003, se mudou para a capital e, dois anos depois, foi aprovada no processo seletivo da Latam como analista de precificação. “Fazia o preço da passagem. [...] É uma indústria dura, então isso faz com que a gente tenha que se reinventar, encontrar oportunidades, realmente trabalhar para fazer dar certo. [...] A gente fala que quem dita o preço é quem está vendendo, mas não é, quem dita o preço é quem está comprando. Tem que encontrar o que a demanda está disposta a pagar. O desafio é achar o ponto de elasticidade entre a oferta e a demanda”. Dentro da empresa, ela foi promovida para ser coordenadora de precificação. No entanto, durante a jornada também passou por outros setores. “Hoje estou na área comercial, mas também já passei por análise comercial, estratégia de canais e hoje tenho escopo de Marketing também”, afirma. Desta forma, ela cuida da estratégia de marca dentro do País e se relaciona com as agências, o mercado e órgãos institucionais. “A gente chama de business to business”. [[legacy_image_257549]] Segundo Aline, a aviação é uma indústria tão grande que há chances em quase todas as carreiras. “Pode estar na área de operações, negócio, marketing, você pode voar. [...] Por isso que, apesar de eu nunca ter imaginado, nunca ter colocado nos meus objetivos estar na indústria aérea, ela encanta pelo portfólio de complexidade. É uma máquina muito grande fazer tudo aquilo funcionar, desde mecânico e compra de avião, até o básico de qualquer empresa que é o negócio, oferta, demanda e rentabilidade”. A experiência da diretora é o maior exemplo que ela possui. “Quando você começa em precificação não imagina que pode terminar no marketing, mas é uma indústria tão gigante, tão completa, que tem muita oportunidade”, ressalta. Com a complexidade de processos que abrangem a aviação, voar se torna apenas mais um dos serviços. Sendo assim, o fato de ter medo de avião não influenciou no trabalho de Aline na companhia aérea e, pelo contrário, por meio do contato com a área, ela passou a se sentir mais segura em aeronaves. “A Latam tem a segurança como primeiro indicador, então estar lá dentro também aproxima a gente a ver o tamanho do cuidado e dos processos. É tudo muito padronizado e registrado. Então quando você realmente está ali dentro, vê que não tem brecha. Segurança em primeiro lugar, isso ajuda bastante”. InspiraçãoNo alto escalão da companhia, Aline continua visitando Santos, ao menos uma vez por mês, para ver os pais. Hoje, ela sabe que pode servir de inspiração para muitas pessoas, mas relembra que sua trajetória foi natural de acordo com o trabalho. “Nunca fui muito ambiciosa, nunca tracei onde queria estar em 5 ou 10 anos. Eu sempre busquei muito mais uma identificação com meu trabalho do que uma grande ambição”. Por isso, seu maior conselho para quem está iniciando carreira é ter espírito colaborativo e aliar liberdade com responsabilidade. “Ter uma relação com o trabalho de que sua parte faz diferença, porque quando sua relação é ‘meu trabalho acaba aqui’, você cria menos vínculos com a empresa. O meu trabalho nunca foi ‘acaba aqui’, e sim ‘acaba aqui e o que mais você precisa? onde mais posso te ajudar?’. Esse senso de vínculo e de compromisso dá muito certo para mim, desde o comecinho”. Além disso, ela aposta em uma comunicação estruturada, não apenas de línguas estrangeiras, mas como um todo, para que as pessoas entendam as ideias de maneira clara. “Isso leva a ter influência. Para mim, comunicação e embasamento são dois pilares para ter influência dentro das empresas. São questões importantes que eu percebo que fizeram diferença em algum momento da minha carreira”. [[legacy_image_257550]] Com os anos de atuação na Latam, hoje em dia a diretora de Vendas e Marketing é porta-voz da empresa em diversos eventos. Para ela, isso é algo que veio de forma natural. “Acho que depois de muita experiência profissional, a gente tem três ondas dentro de uma carreira. A primeira é como quando entrei como analista, com o compromisso, responsabilidade e capricho. Conforme você vai ganhando bagagem, você começa a ter uma liderança. O momento em que estou agora, acredito que é quando você consegue se aproximar dos objetivos da empresa e dos valores. Isso faz com que possa dar direção para as equipes e ser um porta-voz externo”, finaliza.