[[legacy_image_208326]] Um misto de alegria, esperança e de desabafos deram o tom do lançamento do Carnaval 2023 de Santos, realizado em grande estilo ontem no centro de convenções localizado na Ponta da Praia. Além de acompanhar a apresentação das 16 agremiações que irão desfilar na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz nos dias 10 e 11 de fevereiro e de importantes intérpretes da região, as centenas de pessoas que compareceram ao local tiveram a oportunidade de ver os shows dos cantores Diogo Nogueira e do Neguinho da Beija-Flor, o embaixador do Carnaval santista. O presidente da Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos (Licess), Fábio Przygoda, afirmou que há uma grande expectativa e ansiedade para a volta dessa festa popular, após os desfiles do ano passado terem sido cancelados em razão do agravamento dos casos de covid-19. “Não paramos de trabalhar nesse período. O resultado para o próximo ano será muito positivo. O Carnaval está no coração de todos nós. Vamos todos juntos fazer o maior Carnaval da história da nossa Cidade”, destacou. Ele entende que é muito positivo o fato de o Carnaval santista ocorrer uma semana antes dos desfiles de São Paulo e do Rio de Janeiro, porque isso permite que vários ritmistas, passistas, destaques dessas cidades possam atuar nas agremiações locais, o que contribui diretamente para a melhoria do espetáculo ao público. Ameaça de morte O prefeito Rogério Santos (PSDB) explanou sobre a felicidade de participar do lançamento dessa importante festa da cultura popular e fez questão de agradecer os integrantes da Licess, que se anteciparam à Administração Municipal ao decidir que o desfile do ano passado seria cancelado. “Isso é generosidade, é cidadania. Quero agradecer, do fundo do coração, essa atitude corajosa”, afirmou. O chefe do Executivo também frisou que a decisão mais difícil da vida foi ter que anunciar o lockdown para tentar frear a disseminação de casos de covid-19, em março do ano passado. “Vocês não sabem o que a gente sofreu, o quanto foi triste. Fui ameaçado de morte. Minha família foi ameaçada. Gente foi na porta da casa. E as decisões eram muito difíceis. Por outro lado, entendo as pessoas que me ameaçaram e toda a situação que a gente viveu. Pessoas perderam o emprego, a esperança e ficaram sozinhas”, desabafou o prefeito santista. Factoide Conforme o secretário municipal de Cultura, Rafael Leal, tudo que envolve o Carnaval gera polêmica. Ele relembrou que essa festa popular foi apontada como a grande vilã no início da pandemia de covid-19, em março de 2020. “Isso foi uma grande mentira, um grande factoide. O Carnaval foi uma grande vítima. Nos últimos meses, as escolas de samba serviram de postos de vacinação, ajudaram as pessoas da comunidade e entenderam que não era o momento de festa”, explicou. Leal não escondeu a emoção durante a entrevista ao participar do evento, porque as pessoas cobravam o retorno dos desfiles. “É um orgulho de estar em uma Cidade que respira o Carnaval, um setor que gera emprego e renda e envolve direta ou indiretamente 25 mil pessoas nesse processo”.