Resgatado dessa condição há 12 anos, Barba comanda a instituição que fundou, o Instituto Barba na Rua (Arminda Augusto/AT) “Há três principais grupos de pessoas que estão em situação de rua: os desempregados, os que têm algum problema de saúde mental — que, na rua, só se agrava — e os dependentes de drogas e álcool. Então, não adianta tratar todos eles da mesma maneira. Não vai funcionar.” Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Assim diz Rogério Soares de Araújo, mais conhecido como Rogério Barba, que durante 25 de seus 55 anos de idade foi um dos milhares de pessoas em situação de rua do Brasil. Resgatado dessa condição há 12 anos, hoje comanda a instituição que ele mesmo fundou, o Instituto Barba na Rua, responsável pelo atendimento a pessoas nessa condição em todo o País e consultor de governos estaduais e municipais na elaboração de políticas públicas voltadas a cidadãos em situação de rua. Rogério Barba esteve em Santos nesta semana, a convite da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, para conversar com os responsáveis por entidades sociais que lidam com pessoas em situação de rua e de alta vulnerabilidade. História Nascido em São Paulo, Rogério Barba foi criado em uma instituição até completar 18 anos. “Foi o crack que me levou para as ruas. Eu não tenho religião, mas eu sei bem de onde Deus me tirou”, disse. A saída das ruas foi possível com a internação em uma instituição para tratar a dependência do álcool e do crack. “Em 25 anos, conheci de tudo nas ruas e, hoje, posso dizer quais políticas públicas não vão funcionar.” Barba ganhou visibilidade nas redes sociais ao compartilhar ações solidárias e mobilizar voluntários para ajudar pessoas em vulnerabilidade. Sua atuação é marcada por iniciativas práticas, como distribuição de alimentos, kits de higiene e encaminhamento para serviços de saúde e assistência social. O Instituto Barba nas Ruas é a organização criada por ele para estruturar e ampliar esse trabalho, mas também para aproximar o terceiro setor dos órgãos públicos e elaborar programas e políticas que auxiliem no atendimento a esse público. Só assistência não resolve Para uma plateia formada por entidades do terceiro setor e servidores municipais, Rogério Barba foi claro: “É preciso uma ação integrada, que envolva as entidades e também outras secretarias além da de Assistência Social, para dar o atendimento adequado às pessoas em situação de rua. Vocês precisam criar uma rede”. E mais: “Como são muitos os motivos que levam as pessoas à rua, é preciso ouvi-las, entendê-las, para só então dar o encaminhamento adequado”. A secretária de Desenvolvimento Social de Santos, Renata Bravo, destaca que a declaração de Barba está em sintonia com o que a Prefeitura defende: é preciso criar uma rede em que o atendimento seja uniforme e considere as diferenças entre os diversos grupos em situação de rua. “Só colocar em abrigo não resolve. Só oferecer emprego não resolve. Nós precisamos da parceria de todos, inclusive do setor empresarial”, afirma. Renata Bravo diz, ainda, que um novo censo dessa população deverá ser desenvolvido ainda neste ano. Além disso, manterá uma conversa com os demais municípios da região para que, de forma coletiva, busquem ajuda do Estado.