Nascido em Santos, Roberto Sion tornou-se mundialmente conhecido na música (Divulgação) O bom filho à casa torna. Aliás, o bom filho pode dar a volta ao mundo, mas sempre levará a casa consigo. Nascido em Santos, em 1946, um dos expoentes da música instrumental no Brasil, Roberto Sion, volta à Cidade para show, nesta sexta (29), 20 horas, no Sesc. Acompanhado de Itamar Collaço, no baixo, e Vítor Cabral, na bateria, apresenta canções que o acompanham, não só nos palcos, mas também no coração: clássicos da bossa nova e do jazz. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Saxofonista, flautista, clarinetista, pianista, maestro, compositor e arranjador: tudo começou em Santos. “Comecei a estudar piano cedo, com professoras particulares. Depois, fui para o Conservatório Lavignac, na Avenida Conselheiro Nébias, que não existe mais”, recorda. Lá foi onde começou de fato sua vida musical, como diz. A de Roberto e de muitos jovens nos anos 50: o Lavignac tinha métodos revolucionários para o ensino de música, que incluía até a expressão corporal. “A Dulce (Fonseca Dias Pinto) e a Adriana (de Oliveira Ribeiro, fundadoras) eram professores à frente de seu tempo. Era um conservatório que ia além do estudo só do piano”. Muito além: foi no ambiente do Lavignac que nasceu o grupo Ars Viva, por força e obra do maestro Klaus-Dieter Wolff. Futebol, bossa e jazz A juventude: tempo de sonhos e alegria. Para Roberto, eram divididos entre música e futebol. Montou um grupo de jazz e bossa nova. Aos sábados faziam shows no Clube XV, no Sírio. No antigo hotel Parque Balneário, que se impunha majestoso em quadra inteira, entre as avenidas Bartolomeu de Gusmão (praia) e Ana Costa, e as ruas Fernão Dias e Carlos Afonseca. Lá também criaram um time de futebol. “O Fernando Fracarolli, filho do dono, era meu amigo de infância. O Santos estava no apogeu”. Foi tentar a sorte no juvenil do Peixe. “Nem passei da porta. Voltei para casa com as chuteiras...”. Sorte da música. Com a ajuda dos pais e os salões do Parque Balneário aberto, seu grupo trouxe a Santos nos domingos à tarde da década de 60 Elis Regina, Edu Lobo, Claudete Soares, Alaíde Costa e outros. Psicologia e cabeça na música Junto consigo, o mundo de Roberto também cresceu: mudou-se para Campinas para estudar Psicologia. O diploma na mão não foi suficiente para resistir ao chamado da música. E seu mundo cresceu um pouco mais: foi para os Estados Unidos estudar no Colégio de Música de Berklee, em Boston. De volta, junto com os amigos Nelson Ayres, Zeca Assumpção, José Eduardo Nazário e Luiz Roberto de Oliveira, criou o grupo Mandala. Logo depois, fundou o Pau Brasil. “Até hoje, o Pau Brasil tem ressonância grande na música instrumental brasileira”. O mundo já lhe era imenso: tocou com Hermeto Paschoal, excursionou pela Europa com Toquinho, Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Miúcha, mas no seu coração nunca deixou de levar as conchinhas da praia do seu berço, o seu reduto. “Daquela Santos ainda de mar limpo, com conchinha na praia, sinto muito falta. Falando assim parece um saudosismo bobo, porque a vida passa, a gente envelhece. Mas essas memórias são muito boas”. Serviço: Show de Roberto Sion, sexta (29), 20 horas, no Sesc Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida). Ingressos entre R\$ 15,00 e R\$ 50,00, à venda no site www.sescsp.org.br/santos ou nas unidades do Sesc.