As ondas ultrapassaram os 3 metros de altura (Alexsander Ferraz / AT) A forte ressaca que atingiu a orla de Santos, no litoral de São Paulo, provocou estragos e prejuízos, com ondas que ultrapassaram os 3 metros de altura. Diante do impacto, surgem dúvidas sobre uma possível relação entre o fenômeno, ocorrido no fim da tarde da última terça-feira (29), e o avanço do mar na cidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A oceanógrafa Regina de Souza Ferreira explica que as ressacas são eventos pontuais e de curta duração, que estão mais ligados a frentes frias do que às mudanças climáticas de longo prazo. “As ressacas não ocorrem por causa do avanço do nível médio do mar”, complementa. Qual a diferença de ressacas intensas para o avanço do mar? A última ressaca foi considerada intensa. Sensores da Praticagem de São Paulo apontam que as ondas chegaram a 3,98 metros de altura por volta das 18h30. No mesmo horário, o nível do mar alcançou 1,92 metro na orla e 2,12 metros no interior do estuário. A combinação desses dois fatores (maré alta e ondas elevadas) fez com que os impactos fossem maiores do que em outros episódios similares, conforme acrescenta a oceanógrafa. “Já o avanço do nível médio do mar sobre a linha de costa é um processo gradual e contínuo, causado principalmente pelo derretimento de geleiras e pela expansão térmica dos oceanos em decorrência do aquecimento global. Trata-se de um fenômeno lento, porém constante”. Com base nas previsões locais de aumento de aproximadamente 0,39m para o nível médio do mar até 2100, estima-se que o nível do mar poderá atingir, com mais frequência, valores superiores a 2 metros, como ressalta Regina. “Com isso, ressacas intensas como as que já observamos atualmente causarão impactos significativamente maiores e mais severos”. Ondas da ressaca invadem e alagam vários pontos da orla de Santos A ressaca alagou diversos trechos da orla de Santos, no litoral de São Paulo. Um dos pontos mais atingidos foi a Avenida Rei Pelé, na Ponta da Praia, especialmente nas proximidades das muretas. Imagens obtidas por A Tribuna mostram as ondas ultrapassando as barreiras de proteção e invadindo a avenida e ruas do entorno.