O Canal 3, na Avenida Washington Luís, em Santos, ficou coberto pela espuma na manhã deste domingo (30) (Jean Marcel/AT) A ressaca que atingiu cidades do Litoral de São Paulo e provocou ondas acima dos três metros de altura foi a responsável por provocar a espuma que pôde ser vista em canais de Santos neste domingo (30). Segundo o biólogo Eric Comin, o fenômeno pode ser provocado tanto por causas naturais como também por ação humana. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O biólogo esclarece que a agitação das ondas batendo nas rochas, na parte costeira e até quebrando nas praias promove uma separação do material de gordura diluído na água. O mesmo material pode estar em alguns organismos que ficam incrustados nos rochedos. “Essa gordura natural proveniente dos animais e vegetais marinhos não é nociva. Ela é causada exatamente pela agitação do mar, que provoca as ondas as quais fazem a separação da gordura através da flotação, o que acaba gerando a espuma”. Ainda segundo Comin, as espumas também podem ser resultado das florações - crescimento excessivo - de algas. O crescimento das microalgas pode ser estimulado por algumas condições oceanográficas e climáticas. “É uma ocorrência natural de espuma, que ocorre com frequência no verão”. O biólogo ressalta, contudo, que o esgoto é o principal potencializador da formação dessas espumas, acelerando o processo de floração ao causar a mortalidade de organismos aeróbicos. A presença de resíduos do esgoto também é responsável por alterar a coloração da água. “Caso essa água tenha alguma presença de esgoto, ela fica com esse tom amarronzado ou amarelado”, diz. Dada a coloração da espuma registrada pela Reportagem no Canal 3, próxima do bege, é possível dizer que há a presença de esgoto na espuma. “Nesse caso, ela não é tóxica, mas se origina de uma concentração de esgoto e lixo, apresentando outro tipo de risco”, continua. Por fim, Comin alerta para a necessidade de se verificar o odor dessas espumas. “Um cheiro forte é indicativo de risco à saúde pública”, explica. Ele reforça que, nessas condições, o melhor a fazer é evitar o contato com as águas. “O banho de mar ou mesmo a utilização dessas águas não é recomendável, ainda que o contato com elas não necessariamente cause uma doença”, conclui. Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente de Santos disse que a situação registrada no Canal 3 trata-se da floração de algas, não oferecendo risco á população. "É um fenômeno natural que acontece rotineiramente ao longo do litoral brasileiro, dissipando-se durante o dia. A dinâmica dessas ocorrências está associada a eventos climáticos, como chuvas, ventos e ressacas", afirma a Prefeitura.