[[legacy_image_90134]] O médico de Santos, no litoral de São Paulo, que foi condenado pela Justiça por ter abusado de pacientes continua com registro profissional ativo no portal do Conselho Regional Medicina Estado São Paulo (Cremesp), mesmo após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manter a condenação pelo crime de importunação sexual. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O cardiologista Walter Nei Nascimento atua na área há mais de 50 anos e é acusado de abusar de duas pacientes durante consultas médicas. A Tribuna apurou que o médico continua com registro profissional ativo, mesmo após a Justiça condená-lo em segundo grau. O plano de saúde pelo qual o acusado atende, a Unimed Santos, disse que até o momento não foi intimada do trânsito da ação judicial e que também não recebeu comunicado por parte do Conselho Regional de Medicina (Cremesp). A Cooperativa disse que o processo de ação interna está suspenso enquanto não saem as decisões definitivas da Justiça e do Conselho. O site do Cremesp indica que o registro profissional de Nascimento permanece ativo. A Tribuna questionou o conselho, mas a resposta foi que os casos de abuso estão sendo investigados e que as investigações tramitam sob sigilo determinado por Lei. O órgão é também responsável pela fiscalização, investigação e julgamento de questões relacionadas à classe médica Os abusos Porém, A Tribuna teve acesso à sentença da juíza Elizabeth Lopes de Freitas, da 4ª Vara Criminal de Santos. O documento diz que o cardiologista de 79 anos molestou uma das pacientes dele dentro do consultório, no bairro Encruzilhada, em Santos, em maio de 2017. No caso da outra vítima, ocorrido no mesmo ano, o documento afirma que o médico tentou constrangê-la, com violência, para que tivesse relações sexuais. O TJ-SP disse que não poderia passar detalhes. No primeiro caso, a vítima, que na época tinha 56 anos, relatou ter ido ao consultório para entregar exames de rotina. O médico analisou as avaliações e, ao se despedir da paciente, deu a volta pela mesa e a segurou pelos braços. O médico deu um beijo na mulher, a impediu de sair, e ainda lambeu a orelha dela. No segundo caso, a vítima, que é deficiente auditiva e na época tinha 19 anos, fazia exames para poder passar por cirurgia pela terceira vez. Ela afirmou que teve que tirar a blusa e o sutiã, e colocar um avental com uma abertura na frente. O médico, então, ofereceu ajuda para a paciente descer da maca, pegou a mulher pelo braço, a abraçou e colocou as mãos nos seios dela. Ele também tentou beijá-la, porém foi empurrado. A paciente começou a se vestir, mas o médico disse que ela poderia se trocar na frente dele, e ainda tentou tirar o avental da cirurgia. A vítima gritou, terminou de se vestir e saiu rapidamente do consultório. Versão do médico Em Juízo, o acusado negou as práticas e relatou que há 18 anos não pode ter relações sexuais, porque passou por cirurgia de câncer de próstata. Também informou ser hipertenso e que os remédios que toma diminuem a libido. O médico ainda afirmou ter 52 anos de medicina e que nunca teve nenhuma queixa de pacientes. A reportagem procurou pela defesa do médico nesta segunda-feira (9), mas o advogado disse que não comentaria as decisões judiciais. Nesta terça-feira (10), o advogado reafirmou, por telefone, que preferia não se pronunciar.