[[legacy_image_309422]] As cortinas do Teatro Coliseu, no Centro de Santos, vão ser descerradas em maio do ano que vem, quando o espaço completará 100 anos. A promessa é da Prefeitura de Santos. As obras, que enfrentaram problemas nos últimos, parecem ter entrado nos eixos. Por isso, o gran finale soa no horizonte, à espera da volta dos aplausos da plateia e da alegria da classe artística. A secretária municipal de Infraestrutura e Edificações, Larissa Oliveira Cordeiro, afirma que há frentes de trabalho em andamento. A última mudança foi a entrada da empresa Lemam Construção e Comércio S.A., segunda colocada em uma licitação de 2019 cuja vencedora, a empresa Spalla, foi substituída devido à inexecução parcial do contrato, com multa superior a R\$ 1 milhão. “A gente retomou com força total. Conseguimos fazer com que a empresa segunda colocada assumisse esse escopo. Está refazendo vários serviços, uma limpeza geral com que a gente não contava. Tudo que tinha sido feito na fachada e não estava correto foi arrumado e, agora, o restauro está sendo feito corretamente”, explica Larissa. O desafio é equacionar as necessidades de um prédio histórico com dinheiro aquém do esperado inicialmente, sobretudo pela espera de verba ainda não liberada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) nesse processo, de cerca de R\$ 11 milhões. Há um pregão eletrônico já publicado, no valor de R\$ 242 mil, para contratação de uma empresa que fará serviços específicos de pintura, recomposição de paredes, forro e adequações de acessibilidade. Essas obras devem durar quatro meses, incluindo material, equipamentos e mão de obra. Além disso, o Departamento de Planejamento de Obras da secretaria prepara licitação no valor de R\$ 5 milhões para reparo da caixa cênica, cortinas, reforma dos elevadores da orquestra e de carga do palco e ajustes na acessibilidade. “A gente está soltando uma licitação, tudo 'picadinho', de pequenos outros reparos internos que a gente vai abrindo aos poucos. Não é o melhor dos mundos, mas a gente faz com o que tem”, diz a secretária. [[legacy_image_309423]] DetalhamentoA Tribuna visitou as obras do Coliseu na quarta-feira e viu o andamento dos trabalhos. Há, pelo menos, três frentes de atuação, com alto grau de detalhamento. Novas janelas, estrutura metálica do palco (que estava comprometida), cobertura e fachada têm recebido especial atenção. “Uma arquiteta contratada pela empresa fez um mapeamento de pontos da fachada, algo que nem contratado estava. A empresa vem removendo tudo o que estava ruim ou errado e refazendo, agora de maneira correta. É um grande aprendizado para todos”, pontua Larissa Cordeiro. Um exemplo desse cuidado está na massa utilizada para a obra, que é incompatível com cimento. Mistura de cal com água, ela provoca uma reação química, que emite uma espécie de nata. Posta para descanso por 30 dias, só então poderá ser usada nos trabalhos. Ainda: “Passamos a contar com uma técnica do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), que trouxe um olhar técnico muito importante”. “Tinha muita infiltração, que danificou a pintura. Então, nós fizemos esse telhado, com telhas de barro. Com o telhado pronto e as calhas prontas, a parede que ficou danificada vai entrar nessa licitação de pequenos reparos”, acrescenta a engenheira Viviane Scalia. Larissa Cordeiro acredita que os prazos estabelecidos serão cumpridos, ainda que a chuva atrapalhe parte dos serviços. Será o ponto final de um roteiro que teve drama, suspense, mas caminha para um final feliz. Desde o século passado As obras de restauro do Teatro Coliseu duraram dez anos, de agosto de 1996 até a entrega, em janeiro de 2006, e custaram R\$ 20 milhões. Em 2007, foram instalados guarda-corpos e complementos, no valor de R\$ 168 mil. Seis anos depois, em 2012, a fachada recebeu nova pintura, por R\$ 278 mil. Para a empresa Spalla Engenharia, que cumpriu apenas 30% do contrato firmado em outubro de 2019, foram pagos apenas R\$ 1.291.303,23. Para a Lemam Construções e Comércio, empresa que dá continuidade à obra que a Spalla começou, foram pagos, até o momento, R\$ 446.493,09. ´Descoberta´ Uma santista que não tinha muito contato com o Teatro Coliseu, mas que viu uma oportunidade de recuperar um espaço riquíssimo em história e arquitetura. A arquiteta responsável pela consultoria do restauro, Erika Hembik Borges Fioretti, ligada ao Condephaat, vê a atuação como um marco. “Me senti honrada. Não conhecia o Coliseu. Na primeira vez em que pisei neste palco, senti a força deste espaço. Porque é a casa da cultura santista”, explica. Ela lembra que o teatro ficou muito tempo fechado e, com intervenções anteriores equivocadas, equipes da Prefeitura e da construtora atuam para que o prédio seja mantido da forma mais íntegra possível, em termos de valores culturais. “Essa conjunção de esforços é tão importante, com um bom resultado para a comunidade. Tem horas em que ficamos em dúvida sobre qual decisão tomar. E é essa união de esforços, com boa intenção, que permite que seja feita a coisa certa, com entrega no prazo, seguindo dos princípios da administração pública”, acrescenta Erika. Demandas A arquiteta lembra que há demandas, como o restauro do forro. Uma sala no segundo andar, com piso de madeira, também aguarda reparos. “Também queremos melhorar a qualidade dos assentos e das poltronas futuramente. Também haverá prolongamento dos guarda-corpos, por conta do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), assim como cortinas antichamas. Mas, quando o teatro for reaberto, será com 100% da capacidade”, ressalta.