[[legacy_image_223694]] O dia que marca a Consciência Negra foi de reflexão e exaltação da cultura preta em diversos locais do País. Em Santos, a 1ª edição do Festival Santos Arte Preta reuniu centenas de pessoas no Teatro Municipal, na Vila Mathias, onde houve exposições, shows musicais, feira de arte, literatura, gastronomia e outras atividades do gênero. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Até sexta-feira (25), é possível observar no local a exposição do fotógrafo Walter Firmo e também as exposições Zulu, Som das Ruas e Africanitude 013. O horário para visitação vai das 13 às 18 horas, e a entrada nas mostras é gratuita. A festa começou na quinta-feira e terminou neste domingo (20). Uma das atrações no começo da tarde foi o grupo Dança de Rua do Brasil. Mas, no campo da música, houve, ainda, apresentações do grupo Batalha da Conselheiro e do Slam dos Andradas. Marcaram presença com grafites os artistas Fixxa, Colante, Marco Tuim e Tuia. O cantor BNegão fechou a noite, com canções do compositor Dorival Caymmi. A autônoma Camila Ribeiro, de 39 anos, visitou o evento e afirmou que o momento é para “não esquecermos da nossa ancestralidade”. “E também para contar histórias. Seria importante mostrar isso, porque é uma história muito bonita de luta”, declarou. O vendedor Luiz Aguiar, de 43 anos, disse que o festival é muito importante, não só pelas atrações culturais e gastronômicas, mas pela data. “Acho muito legal, porque é importante mostrar e afirmar a questão da cultura negra, da cultura preta. Tanto a cultura antiga quanto a nova. A dança de rua é nova, mas tem raízes negras, por exemplo”, comentou. A escritora Andreia Kelly Marques, de 39 anos, considerou que o público teve a oportunidade de conhecer o trabalho de artesãos, escritores e artistas negros e os próprios expositores, para trocar experiências. “Esse evento faz a ponte entre o público e a gente que está trabalhando. É importante poder aliar a consciência negra, aspectos políticos e históricos dessa data, que não é apenas festiva para nós, mas também um momento de celebração”, citou. A pesquisadora e professora universitária Mary Francisca do Careno, de 74 anos, expôs o trabalho que faz nos quilombos do Vale do Ribeira. “É importante essa data. Há séculos, estamos lutando por liberdade. E que liberdade é essa que a gente tem? Se compararmos as mortes de jovens negros e dos brancos, é uma comparação perversa, é terrível”, ressaltou. HISTÓRIAS A CONTAR A escritora Denise Nascimento, de 56 anos, que concorre ao Prêmio Jabuti com o livro Pretos em Contos - Volume 2, falou de “todo o trabalho” de conscientização. “Porque está com a gente, está em nosso DNA, em situações que a gente vive no dia a dia, porque o racismo é uma herança do colonialismo e essa história precisa ser contada pela gente, porque é a gente que vive essa experiência no dia a dia, atravessando essa doença que é o racismo”. A aposentada Augusta França, de 64 anos, que trabalha com afroturismo por Santos, resgatando as histórias de quilombolas e negros na Cidade, considerou que ainda há muito a fazer contra o racismo. “Temos um caminho longo para reconquistar muitas coisas em relação à negritude. A gente sofreu uma retaliação nos últimos anos. Avançamos em muitos aspectos, mas ainda estamos em um processo de reconstrução e construção de muitas coisas que favoreçam e façam justiça à população negra deste País”.