[[legacy_image_177170]] Um júri popular que não deveria ter acontecido. Uma condenação equivocada. Dessa forma, o psiquiatra forense Guido Palomba resume a condenação do dentista Flávio Nascimento Graça, o Maníaco da Peruca a 60 anos de prisão por três homicídios consumados e duas tentativas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para ele, que também participou do Comec, trata-se de um “erro judiciário muito grave”, pois o dentista seria um “doente mental inimputável”. “Voltamos ao século 18, quando doentes mentais eram colocados em presídios comuns”, afirma Palomba. Para ele, o fato dele ter planejado as ações não representa uma veia criminosa. “Doente mental não planeja? Ele não é o esfacelo caótico da mente. É um planejamento mórbido, doentio, voltado para aquilo, em meio aos delírios e alucinações que tinha. O júri popular é soberano, mas passou ao largo desse tipo de avaliação”. Laudo O psiquiatra forense chegou a fazer um laudo sobre Flávio. Segundo ele, a mãe informou que as primeiras manifestações da chamada esquizofrenia paranóide surgiram aos 25 anos de idade; ele começou a ficar ‘cismado’ quando tomava ônibus e as pessoas ficariam olhando e zombando dele. “A doença se caracteriza como delírio de percepção. A pessoa se sente perseguida. Não quis eliminar concorrentes”, garante. Palomba lembra que o dentista, mesmo preso em Tremembé, já alegava novos sinais de perseguição de, pelo menos, seis detentos. “Se não estivesse preso, continuaria matando indefinidamente”. O casoO dentista Flávio Nascimento Graça, de 39 anos, foi condenado a 60 anos de prisão em regime inicial fechado, sem possibilidade de apelação, por três homicídios consumados e duas tentativas. A decisão do júri popular foi anunciada no último dia 12, após três dias de julgamento. Ele foi apontado como autor dos disparos contra os donos e uma ex-funcionária da Clínica Americana, rede de clínicas dentárias que tinha unidades na Baixada Santista. Ela seria concorrente ao consultório do 'Maníaco da Peruca'. Após a análise de imagens de monitoramento, a polícia descobriu que Flávio monitorava os passos das vítimas e, segundo a investigação, cometeu os crimes motivado por vingança. O dentista havia declarado falência e atribuía isso à concorrência. Ele está preso há cerca de três anos, na Penitenciária José A. C. Salgado, a P-II de Tremembé, no Vale do Paraíba.