A obesidade é definida como uma doença crônica decorrente do excessivo acúmulo de gordura corporal, e que tem relação com várias complicações metabólicas, segundo o Ministério da Saúde. No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que um em cada oito adultos no mundo é obeso. Até maio de 2012, uma das tantas pessoas acometidas pela obesidade era a psicóloga Elaine Lopes, de 39 anos, que perdeu quase 30 kg em um ano. Com 32 na época, ela decidiu mudar radicalmente seu estilo de vida após descobrir a doença em um exame admissional. Durante o processo seletivo para trabalhar em uma empresa, um médico disse que ela era obesa. "Fiquei horrorizada, mesmo não estando satisfeita com meu corpo. A sociedade não entende que a obesidade é uma doença e até exalta isso, essas coisas de 'plus size'", falou a santista em entrevista para A Tribuna On-line. Elaine ficou com o episódio em sua cabeça, e ver uma foto sua de corpo inteiro, o que não era comum, já que ela procurava não sair em fotografias em função de seu peso, a fez buscar o equilíbrio, como ela conta. "Sempre fui uma criança e adolescente gordinha. Tinha muitos problemas com a balança. Quando vi aquela foto minha, me senti muito frustrada. Eu não ia na praia, tinha vergonha de estar perto das minhas amigas, todas magras, tinha dificuldade no meu relacionamento íntimo", relatou. [[legacy_image_8056]] Por já ter tomado inúmeros medicamentos inibidores de apetite quando adolescente e ao longo da vida adulta e nenhum ter tido efeito, e a cirurgia bariátrica estar totalmente fora de cogitação, a psicóloga decidiu apostar na alimentação saudável e na prática exercícios físicos para chegar ao seu objetivo, que era emagrecer. "Eu não queria operar. Morro de pânico. E não queria fazer aquelas dietas loucas. Queria emagrecer de uma vez por todas", pontuou Elaine. Seus 82 kg, com 1,56m de altura, se transformaram, em 12 meses, em 54 kg, seu peso até hoje, sete anos após ter tomado a decisão. E foi sozinha que ela conseguiu alcançar sua meta principal, sem a ajuda de especialistas, apenas utilizando recursos aprendidos no curso de coaching que havia feito anteriormente. "Fiz um plano de ação e fazia um diário alimentar. Me pesava sempre e entrei no spinning e musculação, além de corrida. Minha alimentação passou a ser mais consciente também". Antes de emagrecer, Elaine teve que retirar a vesícula por conta de um problema de saúde. Ela relembra que o gastrenterologista disse que seria muito difícil ela perder peso após a intervenção cirúrgica, já que a vesícula atua ajudando o organismo a digerir gorduras. No entanto, a psicóloga conseguiu eliminar 28 kg mesmo após a retirada do órgão. Um dia, ela encontrou, no shopping, o médico que tinha feito o alerta a ela, e ele simplesmente não a reconheceu. "Ele não lembrou de mim. Minha fisionomia mudou. Aí eu virei e disse: 'olha só, consegui emagrecer'", recordou. Ajuda e inspiração para outras pessoas Para a santista, não era justo ter obtido sucesso em um método de emagrecimento desenvolvido por ela e não partilhar com outras pessoas que passam pelo mesmo problema. Ela, então, decidiu se capacitar para poder ajudar obesos e quem sofre de disfunções alimentares, como era seu caso. Por isso, Elaine se especializou em Transtornos Alimentares e Obesidade pela Universidade de São Paulo (USP), e hoje atua, também, como coach de emagrecimento e aplica sua metodologia, chamada Viva Leve, em seus pacientes. Além disso, a psicóloga ministra um curso de formação em seu método e é bastante influente nas redes sociais, onde, diariamente, ela mostra seus treinos de crossfit e dá conselhos e dicas sobre estilo de vida saudável e assuntos diversos. No Instagram, ela já passou dos 33 mil seguidores. "É meu trabalho social levar informação por lá, por meio do meu conteúdo, para quem não tem condições de fazer uma terapia, gente que não tem acesso a isso", afirmou. "Não foi fácil meu processo de emagrecimento. Primeiro, você tem que tomar uma decisão, e essa decisão vai te levar a algumas renúncias e dores. Existem dificuldades e obstáculos. Sempre falo para as pessoas se priorizarem. No mundo em que vivemos, colocamos família e trabalho em primeiro lugar, mas nós temos que cuidar de nós mesmos. A motivação é de cada um. Temos que encontrar motivação dentro da gente", finalizou Elaine.