[[legacy_image_305284]] Maio de 2006. Essa foi a data em que seis amigos se reuniram com a intenção de ajudar jovens de baixa renda que tinham um simples sonho: estudar. Com apenas R\$ 20 de cada um, eles conseguiram pagar a primeira mensalidade de um curso de informática para duas jovens. Com isso, nascia o Projeto Belas Mãos da Esperança, que durante os 17 anos de existência já contribuiu para a formação educacional de mais de 500 crianças e adolescentes da Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O funcionário público Jaime Togores, de 58 anos, foi quem idealizou toda a ação com mais cinco amigos do trabalho. “Com R\$ 120 nas mãos, fui procurar uma franquia de cursos. Mesmo fazendo um valor mais barato pra gente, só tivemos recurso para pagar a primeira mensalidade para duas alunas de 14 anos. Com esforço, esse foi o início de tudo”, conta. Depois disso, o trabalho de Jaime foi dedicado a divulgar o projeto que, à medida que conseguia mais voluntários, também ajudava mais crianças e adolescentes a ingressar em cursos de informática, idiomas e profissionalizantes. “Continuamos por cinco anos dessa forma e durante esse tempo, conseguimos ajudar 60 alunos que não tinham condição de estudar”. Jaime trabalha com voluntariado desde os 18 anos, e isso fez com que ele conhecesse diversas áreas e regiões periféricas na região. A partir desses trabalhos, ele conheceu famílias e mães que pediam e indicavam os filhos pra que pudesse estudar por meio do projeto. “O único requisito é: não ter condição de pagar. A gente não exige comprovante de renda, nem temos assistente social. Quem a gente puder ajudar, a gente ajuda”. [[legacy_image_305285]] Além disso, hoje os alunos são captados em comunidades carentes através de "olheiros" nessas localidades. Outros também são indicados por amigos ou pelos Cursinhos Pré-Vestibular da nossa região como o Cardume da Unifesp e do Educafro. ArrecadaçõesOutra prioridade de Jaime, além de fornecer os cursos, também foi proporcionar o transporte para que as crianças tivessem como se locomover até as escolas e depois voltar para casa. Todos os custos foram aumentando, mas mesmo assim o projeto foi expandindo. Para ajudar na arrecadação de toda a renda necessária, em 2011, uma amiga de Jaime teve a ideia de fazer cupcakes para vender e reverter os lucros para o projeto. Depois disso, o grupo começou a realizar venda de lanches e demais itens alimentícios para auxiliar nos gastos com aos alunos. Hoje, além da captação de recursos por doações em dinheiro, o projeto promove rifas, shows beneficentes, vendas de artesanato e artigos de bazar, almoços mensais e noite da pizza. Jaime conta que a sede do Belas Mãos pela Esperança funciona no prédio da Receita Federal em Santos, na Avenida Bernadino de Campos, 17, no 1º andar, na Vila Belmiro. “Lá existe um espaço que serve para lanches e coffee breaks. Então pedimos autorização para o delegado para usarmos lá para os nossos almoços e ele deixou. Como lá não podemos usar gás de cozinha, compramos todos os artigos para manter a comida quente e fazemos os almoços mensais que tem nos gerado uma renda muito boa. Por mês, vendemos cerca de 120 a 130 pratos”, comenta Jaime. ExemplosAntes da pandemia, o projeto chegou ter 280 alunos ao mesmo tempo. Hoje em dia o Belas Mãos da Esperança está com 116 crianças e adolescentes cursando formações em informática, iniciação profissional, inglês, alemão, cursos pré-vestibulares, técnico em enfermagem, estética, além dos alunos em cursos universitários, como medicina, direito, ciência contábeis, matemática, meteorologia, psicologia, filosofia, pedagogia, logística, educação física, economia e ciência e tecnologia. [[legacy_image_305286]] Vinicius Lourenço, de 28 anos, é um deles. Ele cursa o 5º ano de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e conta com a ajuda do projeto para pagar os custos da permanência por lá. Mas essa não é a primeira vez que ele conta o Belas Mãos da Esperança. Morador do bairro Alemoa, desde criança, ele começou a fazer cursos pelo projeto e hoje conseguiu estar em um dos cursos mais concorridos do país. “Lembro que fiz os cursos de inglês e de informática. Minha tia conhecia o Jaime, falou com ele e comecei a iniciar as aulas. Foi bastante importante para mim esse contato que eu tive com esses temas, porque acabei me interessando e, após o término dos cursos, continuei estudando sobre”, comenta o estudante. Tempos depois, Vinicius conseguiu passar no vestibular de medicina, mas como não tinha condições de se manter sozinho em outra cidade, Jaime ofereceu ajuda através do projeto. Por isso, todo mês o jovem recebe uma ajuda financeira, e conta que já recebeu doações de livros, notebook e outros materiais para utilizar durante a graduação. “Posso afirmar que o Projeto Belas Mãos da Esperança tem contribuído diretamente na minha vida, tanto pelo apoio financeiro, quanto pelo exemplo que eles me passam a respeito de ajudar as pessoas. A importância dele [projeto] é total. Sem ele, eu não estaria cursando medicina e, quando eu concluir o curso, ele será um dos grandes responsáveis por eu ter conseguido”, revela. Vinicius é só um dos exemplos de sucesso da entidade. Jaime, que é o idealizador de tudo isso, diz que se sente orgulhosa com cada vida que consegue transformar. “A gente acaba adotando essas crianças e jovens. Temos alunos de todos os lugares, de abrigos, de conselho tutelar, que foram vítimas de incêndio. Com acesso aos estudos, eles podem oportunidades que nem podiam imaginar. Por isso precisamos de colaboradores para podermos fazer cada vez mais por esses alunos”, avalia Jaime. Próximos eventosNesta quinta-feira (19), a entidade estará realizando em sua sede, um almoço do Outubro Rosa, onde toda renda será revertida para o projeto. Serão cinco opções de pratos, e as reservas devem ser feitas antecipadamente por meio do WhatsApp (13) 99159-1327. O estacionamento no local é gratuito e entregas terão uma taxa e R\$ 2. Outro evento que será realizado para a auxiliar na manutenção dos gastos da entidade, é a 2ª noite da pizza, no dia 28 de outubro. O valor do rodízio por pessoa é de R\$ 60 e crianças menos de 11 anos não pagam. Bebidas e sobremesas serão vendidas a parte. O evento será realizado das 19h às 22h, na Sociedade São Vicente de Paulo, que fica localizada na Rua Manoel Tourinho, número 352, no bairro Macuco, em Santos.