[[legacy_image_177782]] Um projeto nascido em Santos começa a ganhar espaço em outras cidades litorâneas e até fora do Brasil. Idealizado em 2017, o Programa de Identificação das Fontes de Resíduos Marinhos (projeto Lixo Fora D’ Água) criou uma metodologia de coleta e análise do lixo que chega às praias santistas que já é referência em 20 municípios e três países (Colômbia, Costa Rica e República Dominicana). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Esta semana, outras 12 cidades passaram alguns dias coletando e analisando o lixo encontrado na areia da praia: Niterói (RJ), Guaratuba (PR), Pontal do Paraná (PR), Serra (ES), Itajaí (SC), Jaguarão (RS), Caucaia e Camocim (CE), João Pessoa (PB), Goiana (PE), Aracaju (SE) e da autarquia Conscensul (SE). O projeto é uma iniciativa da Secretaria de Meio Ambiente, em parceria com a Abrelpe, a International Solid Waste Association (ISWA) e a Agência Ambiental da Suécia. O objetivo inicial era identificar as fontes geradoras do lixo encontrado na praia mas, para isso, primeiro foi preciso quantificar e catalogar quais eram esses resíduos. De 2018 a 2020, as coletas foram feitas seguindo uma metodologia, que é seccionar um trecho de areia fofa e úmida e retirar todos os resíduos ali encontrados, retornando a esse local em períodos intercalados. A conclusão foi que 90% desse lixo tem origem em comunidades habitacionais precárias, como palafitas, e os detritos são trazidos pela maré. Após cinco anos de operação, o método santista já identificou mais de 90 tipos de itens descartados incorretamente. ConhecimentoA metodologia e as conclusões desse trabalho ganham espaço, agora, com a vinda de gestores de municípios litorâneos para apreender esse conhecimento. Segundo a Semam, o trabalho desenvolvido esta semana identificou os tipos comuns de lixo encontrados nas outras coletas: bituca de cigarro, tampinha de água, pino de cocaína, entre outros. Estudar o comportamento do lixo também leva em consideração se a maré está alta ou baixa, se houve ressaca e se o detrito é de areia fofa ou úmida. Essa técnica torna mais fiel a identificação da origem do material encontrado. Nova faseEm Santos, o Lixo Fora D’Água também está entrando em nova fase. A partir de julho, com a entrada do Programa Maré de Ciência, da Unifesp, o trabalho será levado, de forma experimental, a três escolas: uma estadual, uma municipal e outra particular. O objetivo é desenvolver consciência ambiental em crianças e jovens e mostrar a presença de grande quantidade de micro-plástico na areia, os chamados ‘pellets’, espécie de bolinhas coloridas muito constantes na areia, e que são fruto da decomposição do plástico durante anos nos oceanos. “Santos criou um método, aplicou durante anos e já comprovou sua eficiência. O objetivo não é criar uma metodologia nossa, única e exclusiva, mas, sim, estimular outras pessoas e conectar com novas realidades pelo Brasil, incluindo as escolas com o Ciência Cidadã”, diz Marcos Libório, secretário de Meio Ambiente.