<p data-end="633" data-start="216">Uma cozinha universitária em Santos se tornou o laboratório de um projeto inédito que promete mudar a forma como milhares de refeições são preparadas e servidas em alto-mar. A chamada Cozinha 4.0 offshore, desenvolvida em parceria entre a Petrobras e Universidade Católica de Santos (UniSantos), iniciou sua fase de inspiração e testes para modernizar a alimentação nas 44 plataformas da estatal na região do pré-sal.</p> <p data-end="957" data-start="635">A proposta mira um desafio gigantesco: alimentar cerca de 160 trabalhadores por plataforma, com sete refeições diárias, em operações onde a logística é uma das mais complexas do país. Os alimentos seguem de barco para as unidades offshore e podem levar de cinco a até dez dias para chegar, dependendo das condições do mar.</p> <p data-end="1160" data-start="959">A meta da Cozinha 4.0 é reduzir perdas, melhorar a padronização dos pratos, otimizar a produção em larga escala e também elevar o valor nutritivo e a qualidade sensorial das refeições servidas a bordo.</p> <p data-end="1493" data-start="1162">A cozinha-modelo instalada na universidade já conta com equipamentos modernos que futuramente deverão ser replicados para as plataformas de acordo com cada necessidade. Entre eles, um dos destaques é o ultracongelador, tecnologia que permite congelar rapidamente os alimentos a -18°C graus, preservando textura, sabor e nutrientes.</p> <p data-end="1688" data-start="1495">Com isso, parte das refeições poderá ser produzida antecipadamente e regenerada sob demanda nas plataformas, garantindo mais estabilidade operacional, previsibilidade e redução de desperdícios.</p> <p data-end="1930" data-start="1690">“O alimento ultracongelado mantém características muito próximas do fresco”, explica Michele Uemura, coordenadora do curso de Gastronomia da universidade. Segundo ela, a tecnologia permite adiantar produções sem comprometer sabor e textura.</p> <p data-end="2162" data-start="1932">Outro destaque são os fornos combinados tecnológicos, considerados verdadeiros computadores culinários. Os equipamentos conseguem armazenar milhares de receitas programadas, acionadas com apenas um clique, garantindo padronização.</p> <p data-end="2332" data-start="2164">Os fornos realizam cocção seca, a vapor ou combinada, além de oferecer rapidez e precisão no preparo de refeições em larga escala - algo essencial no ambiente offshore.</p> <p data-end="2516" data-start="2334">A cozinha também conta com o iVario, equipamento multifuncional capaz de cozinhar em água, grelhar e executar diferentes técnicas no mesmo sistema, otimizando espaço e produtividade.</p> <p data-end="2703" data-start="2518">Os equipamentos da cozinha piloto foram doados pela Cozil e já despertam interesse de empresas privadas ligadas aos setores de hotelaria, alimentação industrial e serviços corporativos.</p> <p data-end="3098" data-start="2705">Entre as parceiras do projeto está a santista Nita Alimentos, que vem desenvolvendo métodos de produção e ultracongelamento de pães e derivados capazes de preservar crocância, sabor e textura. A proposta representa uma mudança importante no modelo tradicional usado hoje. Em vez de congelar massas cruas, os produtos passam primeiro pelo forno e depois são congelados. O resultado impressiona.</p> <p data-end="3282" data-start="3100">Na apresentação do projeto, um dos exemplos servidos foi um croissant ultracongelado. Após o descongelamento, o produto mantinha textura e sabor como se tivesse recém-saído do forno.</p> <p data-end="53" data-start="0"><strong data-end="53" data-start="0">Resultados positivos</strong></p> <p data-end="453" data-start="55">Os testes realizados atualmente utilizam o próprio cardápio servido a bordo das plataformas. Preparações consideradas mais complexas, como frangos assados com batatas crocantes e refeições em larga escala, estão sendo reproduzidas nos novos equipamentos para avaliar padronização, sabor e desempenho. E, até o momento, as turmas têm aprovado o resultado, segundo pesquisa feita ao final da imersão.</p> <p data-end="705" data-start="455">Segundo os responsáveis técnicos, a automação também ajuda a garantir a padronização. Uma vez programada, a receita pode ser reproduzida sempre com o mesmo padrão de cocção, textura e acabamento, um desafio constante em cozinhas industriais offshore.</p> <p data-end="1226" data-start="707">A iniciativa é coordenada pela gerência de Serviço de Apoio Operacional da Bacia de Santos. De acordo com Patrícia Dantas Lessa, o projeto foi estruturado em três pilares: inspiração, capacitação e implantação. Neste primeiro momento, fornecedores, empresas terceirizadas e profissionais da área estão sendo convidados para conhecer a cozinha-modelo e entender como funcionará o novo processo produtivo. “O objetivo é mostrar o que a Petrobras entende como excelência operacional na alimentação offshore”, diz Patrícia.</p> <p data-end="1445" data-start="1228">Depois da fase inspiracional, começa a de capacitação. Centros de treinamento e instituições parceiras deverão reproduzir o modelo desenvolvido em Santos para formar profissionais aptos a operar os novos equipamentos.</p> <p data-end="1736" data-start="1447">Todo o projeto - incluindo layout da cozinha, equipamentos, processos produtivos, fornecedores e planos de curso - será compartilhado com instituições interessadas em replicar o modelo. Entidades como Senai, hotelarias e centros de formação já demonstraram interesse em aderir ao programa.</p> <p data-end="2046" data-start="1738">A ideia é que os profissionais sejam treinados dentro da realidade operacional das plataformas, preparando exatamente os cardápios produzidos offshore. “Não adianta treinar alguém apenas em uma cozinha gourmet. O desafio é produzir comida de bordo, em escala, com qualidade e estabilidade”, destaca Patrícia.</p> <p data-end="2266" data-start="2048">A previsão é que a fase de capacitação ocorra ao longo de 2027. Já a instalação gradual dos equipamentos nas plataformas deve começar em 2028, após estudos técnicos e de segurança operacional conduzidos pela Petrobras.</p> <p data-end="2454" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2268">As operações atendem principalmente bacias de Santos, Campos, Espírito Santo e Búzios - regiões que concentram mais de 80% da produção nacional de petróleo, segundo estimativas do setor.</p>