[[legacy_image_185107]] Símbolo de coragem e resiliência frente aos desafios da vida em alto-mar, Wisdom é a albatroz mais longeva de que se tem registro. Com idade estimada em 70 anos, ela é o ícone do Dia Mundial do Albatroz deste ano, que se comemora neste domingo (19). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Wisdom sobreviveu a tsunamis, a décadas de interação com a pesca e ao lixo plástico e, agora, lida com uma ameaça crescente: as mudanças climáticas, que colocam em risco os seus santuários de reprodução e o seu alimento. Uma recém-divulgada pesquisa portuguesa, feita ao longo de 20 anos, com 500 casais de albatrozes, conseguiu relacionar o aumento da temperatura do oceano com o crescimento na taxa de divórcio dessas aves, conhecidas por formarem casais que se mantêm unidos por toda a vida. EstresseOceanos mais quentes provocam redução na alimentação dos peixes, fazendo com que essas aves se desloquem ainda mais, chegando atrasadas e estressadas aos locais de acasalamento. Atualmente, a maior parte das espécies de albatrozes e petréis encontra-se sob risco de extinção. Para alertar a sociedade, a data foi criada há dois anos pelo Acordo Internacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (Acap). SantosNo Brasil, o principal grupo de pesquisas sobre essas aves, o Projeto Albatroz, nascido em Santos e patrocinado pela Petrobras, tem se dedicado à conservação da espécie. Tatiana Neves, fundadora da organização, enfatiza a necessidade de ações urgentes para impedir o agravamento das mudanças climáticas, não apenas para proteger albatrozes e petréis, mas a biodiversidade marinha como um todo. “Todos os ecossistemas estão interconectados. Portanto, proteger o oceano e as demais áreas do planeta das mudanças climáticas contribui também para a conservação de aves, plantas, peixes, mamíferos, micro-organismos e outros seres vivos. Na Década do Oceano, isso se torna ainda mais importante”, afirma Tatiana. Como os canários que eram levados para o subterrâneo pelos mineiros, para alertá-los de qualquer contaminação no ar, os albatrozes também são verdadeiros sentinelas da qualidade do oceano. Volta ao mundoComo tem se provado nas pesquisas e ações do Acap nos últimos anos, os esforços de conservação devem ser globais — visto que albatrozes e petréis têm o potencial de dar a volta ao mundo todos os anos em busca de alimentos e temperaturas favoráveis. O Acap, o Projeto Albatroz e diversas outras entidades e organizações dentro e fora do Brasil estão trabalhando conteúdos exclusivos em suas redes sociais. O objetivo é aumentar a consciência do público sobre as mudanças climáticas e a crise de conservação enfrentada pelos albatrozes e petréis em todo o mundo. Uma ave chamada sabedoriaWisdom é uma albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis) e seu nome significa sabedoria. Ela foi identificada pela primeira vez em 1956, quando se acreditava que já tinha pelo menos 5 anos de idade. A ave vive no Atol de Midway, no Oceano Pacífico. O local sofre com o aquecimento das águas e o aumento do nível do mar. Estima-se que Wisdom já tenha gerado mais de 30 ovos e não é raro encontrar-se com seus filhos, gerando novos filhotes no atol.