[[legacy_image_76979]] Profissionais de saúde de um hospital em Santos receberam a vacina de Oxford/Astrazeneca após o prazo de validade e agora lutam por orientações de como agir. Uma mulher – que prefere não se identificar – afirma que não foi a única que recebeu a segunda dose do imunizante no dia 21 de abril de 2021, uma semana após o lote 4120Z005 vencer. As informações são comprovadas na carteirinha de vacinação (veja acima). Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em conversa com A Tribuna, a profissional de saúde diz que todos estão recebendo apoio de psicólogos e infectologistas do hospital em que trabalham, mas não há nenhum posicionamento em relação à nova imunização. A moradora de Santos ainda conta que ela soube do vencimento das vacinas na última sexta-feira (2), por meio do levantamento do jornal Folha de São Paulo, onde Santos aparecia na décima posição entre as cidades que mais aplicaram o imunizante vencido. “Só que logo depois a Prefeitura desmentiu”, explica. Na ocasião, a Prefeitura de Santos afirmou que não disponibilizou vacinas vencidas no município, pois recebeu apenas o lote 4120Z005 – que vencia em 14 de abril – na manhã do dia 26 de janeiro e, no período da tarde, encaminhou as doses para hospitais, unidades de pronto atendimento e SAMU. A mulher, portanto, confirma esta informação, mas diz que o erro aconteceu no hospital: “Segurou a segunda dose e deu no prazo incorreto, depois que venceu a vacina”. Porém, nem ela nem os colegas – que representam uma grande demanda de funcionários – foram a público por medo de prejudicar o hospital ou perder o emprego. Segundo a profissional de saúde, todos precisam do trabalho e gostam de atuar na unidade. “Só que infelizmente isso é um erro gravíssimo. Só quero que eles resolvam”, ressalta. Após serem surpreendidos com a notícia da ‘falsa’ imunização, os profissionais foram contatados pela administração do hospital no sábado (3). “Perguntaram o que a gente estava sentindo, disponibilizando psicólogo, infectologista e falando que iam tomar um posicionamento até segunda-feira (5)”, relata. Porém, até o momento, eles continuam ativos e a única resposta que a mulher teve foi que o hospital ‘lamentava’ o ocorrido e aguardava posicionamento dos órgãos públicos. “Mas os órgãos negam que a vacina está vencida”, desabafa. Desta forma, ela própria entrou em contato com a Prefeitura de Santos, mas a Administração Municipal pediu seus dados pessoais: “Eu não vou passar porque eu preciso do meu trabalho”. Além disso, a profissional ainda tentou alertar algumas outras pessoas por meio das redes sociais, porém, recebia respostas a desmentindo. “Falaram que era mentira, que era ‘da esquerda’, que agora tudo era culpa do Bolsonaro. As pessoas falam e não sabem”, completa. Sentimentos Mesmo sem atuar diretamente com pacientes de covid-19, a profissional relata que tem medo da doença porque ao entrar no hospital já está exposta ao vírus e, apesar de continuar trabalhando com proteção, estava aliviada com a ‘imunização’ (que na verdade não aconteceu). Além disso, outra preocupação são os familiares com quem os profissionais convivem, que são do grupo de risco. “Você fica sem chão, não sabe o que vai acontecer, o que essa vacina vencida pode causar no nosso organismo, se terá terceira dose ou imunização novamente”, explica. As incertezas ‘assombram’ ainda mais os profissionais quando eles lembram que há poucos estudos sobre o assunto. “Fazem seis meses que a gente tomou a primeira dose, então não vale mais de nada”, finaliza. Respostas A Tribunaentrou em contato com o Ministério de Saúde, a Secretaria Estadual de Saúde e a Prefeitura de Santos.Leia na íntegra: "O Ministério da Saúde informa que nenhuma dose de vacina é entregue aos estados e Distrito Federal vencida. A pasta acompanha rigorosamente todos os prazos de validade das vacinas Covid-19 recebidas e distribuídas pela pasta. Conforme pactuado com Conass e Conasems, as doses entregues para as Centrais Estaduais devem ser imediatamente enviadas aos municípios pelas gestões estaduais. Cabe aos gestores locais do SUS o armazenamento correto, acompanhamento da validade dos frascos e aplicação das doses, seguindo à risca as orientações do Ministério. Segundo a orientação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), caso alguma vacina seja administrada após o vencimento, essa dose não deverá ser considerada válida, sendo recomendado um novo ciclo vacinal, respeitando um intervalo de 28 dias entre as doses. O vacinado deverá ser acompanhado pela Secretaria de Saúde local. Por fim, cabe esclarecer que a responsabilidade pelo registro das doses aplicadas no sistema é da gestão local." "A Prefeitura ratifica que não disponibilizou vacinas vencidas em Santos. O lote 4120Z005 de Oxford/Astrazeneca recebido pelo Município, no dia 26 de janeiro de 2021, foi prontamente distribuído (na mesma data) aos hospitais, que ficaram responsáveis pela armazenagem, controle e aplicação da vacina aos profissionais da saúde dos seus estabelecimentos. A Prefeitura já abriu sindicância para apurar o referido caso e as responsabilidades de eventuais problemas na administração das doses. A entidade que faz a gestão do Complexo Hospitalar dos Estivadores, Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz (ISHAOC), abriu procedimento interno para rastrear erros de cadastro no sistema, de aplicação e acionou plano de contingência para acompanhar os profissionais de saúde da unidade." A Secretaria de Estado da Saúde informa que todos os lotes foram distribuídos dentro do prazo de validade. A pasta orienta os municípios sobre a aplicação da vacinação contra a COVID-19 e a importância da verificação da data de validade antes do uso do frasco de uma vacina, inclusive com documentos técnicos com todas as condutas necessárias.Se constatada a aplicação de uma vacina fora da validade, o caso deve ser avaliado individualmente para definição da conduta apropriada definida pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações). Quem tiver dúvida com relação a validade do imunizante da Astrazeneca que recebeu deve procurar a unidade de saúde em que foi vacinada. Além disso, se o cidadão identificar uma data ou lote divergente da carteirinha em papel em relação ao digital, deve procurar o serviço municipal para emissão de um novo documento impresso.