Queda de avião que matou Eduardo Campos em Santos completa dez anos (Walter Mello/ Arquivo/ AT) Apesar da total proximidade com o local do acidente de avião que vitimou Eduardo Campos, então candidato a presidência da República, e mais seis pessoas, no bairro Boqueirão, em Santos, a professora da Academia Mahatma, Fabiana Lopes Veiga, não se lembra de ter tido nenhuma reação inicial. A rapidez com que tudo aconteceu e também por estar do lado contrário da sala de musculação em que houve o prejuízo material maior ajudaram nisso. "Estava segurando um peso, daqueles redondinhos, porque iria guardá-lo. Um aluno me parou para perguntar alguma coisa. Fui falar com ele e meu peso não chegou no anilheiro (onde se colocam esses pesos). Acabei descendo com o peso na mão", recorda. "Foi coisa de segundos, de virar a cabeça e aconteceu. Depois, só pensava em tirar minha turma daqui, porque não sabíamos se iria explodir de novo. Mas o cérebro é algo fantástico: acho que deu um apagão. Não lembro de ter tido nenhuma reação, de ter tremido, de nada", emenda. Fabiana e Fátima: testemunhas da história (Vanessa Rodrigues/ AT) Embora Fabiana, que trabalha na academia há 24 anos, não tenha deixado de andar de avião, o medo passou a existir. "Eu não tinha medo de viajar de avião. Depois do acidente, eu travo na cadeira. Até hoje. Morro de medo, fico com dor de cabeça, me dá enxaqueca, é terrível. Além disso, outro dia, depois que eu tinha dado uma aula, vi um avião de pequeno porte passando por aqui, mais baixo, parei o carro e comecei a tremer, achando que ele ia cair em algum lugar. Acho que o negócio é para a vida inteira", conta. Funcionária da Mahatma há 12 anos, a recepcionista Fátima Gil Andrade relata sensação parecida que a faz filosofar sobre a vida. "Quando passa um helicóptero, tenho uma sensação estranha. Isso acontece mais quando estou na academia. E me faz pensar que temos que ver o momento e fazer as coisas que temos de fazer porque não sabemos o que pode acontecer amanhã".