[[legacy_image_315112]] Ter uma das perguntas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sobre um texto seu é: (A)- surpreendente? (B)- importante? (C)- privilégio? ou (D)- todas as anteriores? Pois o professor de Ciências Humanas na Educação Básica, historiador e doutorando em Educação na USP, o santista João Lorandi Demarchi, certamente assinalaria a última alternativa. Mesmo algumas semanas após o principal vestibular do País, ele ainda comemora o reconhecimento pela presença no exame que mobilizou 2,7 milhões de estudantes. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A questão que utilizou um trecho de texto de sua autoria falava sobre a importância do educador Paulo Freire, intitulado “Paulo Freire: A Educação é Política”, publicado no site Le Monde Diplomatique em 2021. A repercussão, segundo ele, foi imediata e começou antes mesmo do final do primeiro dia de prova, destinado às Linguagens e Ciências Humanas, no dia 5 de novembro. “Como são questões elaboradas pelos professores contratados pelo Inep, e há um sigilo nisso, então eu não fui consultado. Eu fiquei sabendo que tinha uma questão baseada em um texto meu através dos meus alunos, a partir do momento em que eles foram saindo do Enem, e me enviando fotos da questão, me mandando mensagens, brincando comigo”, afirma Demarchi. Alguns alunos, segundo o professor, ficaram realmente empolgados com a “surpresa”. “Tive relatos dos que conseguiram identificar pelo sobrenome que era eu, que ficaram desconcentrados, queriam encontrar alguém na sala ou nos corredores para contar”, acrescenta. Ele considerou a questão como “mediana”, mas com alternativas bem tranquilas. “No meu ponto de vista não dava para ficar em dúvida, uma vez que a única que contempla essa perspectiva de uma educação crítica, dos sujeitos, dos educandos se reconhecerem enquanto sujeitos cidadãos, partícipes da política e da melhoria da sociedade”, pondera o professor. DebatePara o estudioso, o grande mérito do Enem ao trazer Paulo Freire para o Enem é permitir uma discussão razoável sobre uma figura reconhecida internacionalmente por sua relevância na Educação. “Paulo Freire, por causa dessa importância do Enem, acaba pautando o conteúdo dos próximos anos que serão discutidos no ensino médio. A partir de agora, serão muitos os cursinhos, o ensino médio, todos os professores que estão preparando seus alunos para entrar no vestibular, que vão desenvolver uma discussão sobre Paulo Freire. E ao fazer isso, vai ser muito importante porque, apesar do Paulo Freire ser o patrono da educação brasileira, existe uma ignorância sobre o seu trabalho”, alega.