[[legacy_image_20127]] Os batuques, as rosas e os cânticos a Iemanjá atraíram quase cinco mil pessoas, segundo a Prefeitura de Santos, para a orla da praia, próximo ao Canal 6. Lá, um palco foi montado na areia para celebrar o dia da Rainha do Mar que, na cidade completou 20 anos de procissões. Nem o tempo chuvoso espantou o público, que diante da imagem agradeceu e prestou todas as homenagens. Jorge Lisboa, babalorixá do Ilê Axé Ara Madara, no Espírito Santo, participou das comemorações caracterizado como Exu, um dos filhos de Iemanjá. “Exu é o mensageiro. Ele faz as pessoas entenderem que para tudo é necessário conversar. É o grande ajudante dessa história toda”. E como esse mensageiro, Lisboa explica que a o dia 2 de fevereiro, quando Iemanjá é celebrada, não representa da data de nenhum grande fato. “Foi o dia que ganhamos dentro do calendário brasileiro para reunir, a Umbanda, o Candomblé, as outras denominações de matrizes africanas para que, todos, juntos, pudéssemos louvar a essa grande senhora dos oceanos”. Ele descreve Iemanjá como “uma senhora muito vaidosa. Uma grande mãe”, que é louvada por marinheiros, pescadores - mesmo que na denominação de Nossa Senhora dos Navegantes. “É uma santa muito querida no Brasil e nós aprendemos a lidar com ela, então oferendamos a ela tudo o que é de vaidade feminina”. [[legacy_image_20128]] Oferendas O secretário de Cultura de Santos, Rafael Leal, comentou sobre a evolução do evento e dos participantes, em relação às oferendas, que antes contavam com vidros e plásticos. “Existem mais informações e cuidado. O ser humano vai caminhando com uma preocupação com o próximo e com o meio ambiente também”. Lisboa comenta que antes eram lançados ao mar perfumes, flores, pentes e espelhos, mas, hoje, há uma orientação e um cuidado para que a situação não se repita. “Não podemos mais jogar esses itens no mar, porque temos toda uma fauna que faz a corte para Iemanjá. Temos essa preocupação, só usamos alimentos e coisas que, em 24 horas, já não estão dentro do oceano e não trazem problema à natureza”. Turismo e estátua O secretário de Desenvolvimento Social, Carlos Alberto Ferreira Mota, comemorou o crescimento da festa. “Além do movimento municipal, percebemos o quanto [a festa de Iemanjá] atrai o turismo, com pessoas de outros municípios e países”. A Reportagem encontrou uma equatoriana, Carla Rosero, que veio ao Brasil para um curso de Teologia e ficou emocionada durante o evento. “Estou encantada pela diversidade cultural, as crenças, o respeito aos demais e a alegria”. Mota ressaltou que, por se tratar da 20ª procissão, a edição foi especial, com atividades que antecederam o evento de hoje, como uma exposição no Teatro Municipal, além do anúncio sobre a colocação de uma estátua de Iemanjá próximo ao Aquário Municipal. Evento O evento começou às 12h com apresentações artísticas. Às 16h começou a procissão terrestre que seguiu até a Ponte Edgard Perdigão, de onde partiu o cortejo marítimo, por volta das 17h30. Ao lado do palco foram montadas barracas para exposição e venda de artesanato, comidas típicas, flores e artigos religiosos. A procissão foi realizada pela Prefeitura junto ao Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e coordenada pela Casa de Culto Afro-Brasileiro Ilê Asé Sobo Oba Àryra.