[[legacy_image_105793]] A apresentação do pedido de tombamento do ginásio e das piscinas do Clube Atlético Santista, na Encruzilhada, ao Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa) completará dez anos no dia 10 e ainda não há resultado sobre essa solicitação. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A sugestão foi levada ao órgão por um grupo de arquitetos da Cidade e teve como base o trabalho final de graduação em Arquitetura e Urbanismo da então aluna Karoline Valverde Araújo, da Universidade Santa Cecília (Unisanta). O parecer do órgão técnico de apoio (OTA) do Condepasa sugeriu a preservação do ginásio suspenso, que tem características modernistas e uma estrutura de cobertura em “madeira contraplacada”, uma tecnologia inovadora na época. Foi recomendada, ainda, a proteção da quadra coberta de saibro para tamboréu, inaugurada em 1971 e considerada a primeira do gênero no Município. A cobertura dela chama a atenção por ser em concreto em forma de abóbadas (ou seja, de arcos), e os cobogós (elementos vazados) são usados como fechamento no lugar dos vidros, o que amplia a ventilação e a iluminação naturais do local. O OTA entendeu que as piscinas, inauguradas em 1963, não têm relevância arquitetônica que mereçam nível de proteção. Na quarta-feira passada (15), a Comissão de Desenvolvimento Urbano e Habitação Social da Câmara faria uma audiência pública sobre o tombamento dessas estruturas da instituição, mas foi adiada para 20 de outubro, às 18 horas. Esse evento no Legislativo é um pré-requisito para tombamento de bens e imóveis na Cidade desde janeiro de 2017, como previsto na Lei 3.342, de autoria do ex-vereador Geonísio Pereira de Aguiar, o Boquinha. O presidente do Condepasa, Marcio Nacif, explicou que os apontamentos feitos na audiência pública são levados aos conselheiros. Após essa etapa e o recebimento das informações da Câmara, eles votarão a aprovação, ou não, do pedido relacionado ao Atlético Santista. O representante do colegiado justificou, ainda, que a demora para a análise desse e de outros processos está relacionada à aposentadoria de dois dos três técnicos que faziam esse trabalho nos últimos anos. Além disso, a pandemia de covid-19 atrapalhou o andamento das atividades. “Quem faz o tombamento de fato é o secretário municipal de Cultura, após o Condepasa mandar para o titular da pasta o parecer dos conselheiros”, disse. Sem resposta A Reportagem não conseguiu localizar os integrantes da diretoria do Atlético Santista para saber os planos da instituição. Em janeiro deste ano, A Tribuna entrevistou o advogado Aldo Ierizzi, que estava à frente das questões administrativas e contábeis do clube. Na ocasião, ele disse que havia uma negociação avançada com uma construtora e que ela ergueria uma nova sede no bairro. A Reportagem tentou contato com o advogado, mas ele não retornou as ligações. História O inícioO Clube Atlético Santista foi fundado em 7 de setembro de 1913 por alunos da Academia de Comércio José Bonifácio e criado preferencialmente para a prática do futebol amador. A instituição passou por cinco lugares diferentes até a compra do terreno onde foi construída a sede própria na esquina da Rua Carvalho de Mendonça com a Avenida Washington Luiz, em 1948. GinásioEm 7 de setembro de 1949, o clube inaugurou o pavimento superior do ginásio suspenso, que tem características modernistas. A partir da entrega da quadra, o local recebeu festas, shows, bailes e campeonatos esportivos, sobretudo de vôlei e basquete. As receitas desses eventos permitiram a construção de piscinas, da concha acústica, de um jardim tropical e da quadra coberta de saibro para a prática do tamboréu. AutoresUm dos engenheiros-arquitetos responsáveis pelo projeto do ginásio foi o vicentino Ícaro de Castro Mello. Ele é um dos poucos profissionais dessa área que concentraram a maioria de suas obras na área esportiva. Ele foi campeão paulista, brasileiro e sul-americano de saltos em altura, com vara e decatlo. Na Olimpíada de Berlim, em 1936, cravou o recorde de salto com vara. Algumas de suas obras em destaque são os ginásios de Sorocaba e do Ibirapuera e a Piscina Coberta da Água Branca, em São Paulo. O projeto do Atlético Santista também foi assinado por Oswaldo Corrêa Gonçalves, um dos idealizadores da Faculdade de Arquitetura de Santos (Faus), da atual Universidade Católica de Santos (UniSantos), onde foi diretor e lecionou por anos. Uma de suas obras de destaque é o Teatro Municipal Brás Cubas. DecadênciaNa década de 1990, o Atlético Santista passou a perder associados pagantes, pois muitos tornaram-se remidos. Esse mesmo fenômeno ocorreu com outras instituições da Cidade. Após acumular dívidas, em 2008, o Atlético Santista vendeu parte de sua área para a concessionária de veículos Comeri. O futuro do clube é um mistério.