[[legacy_image_254507]] As filas repletas de famílias prontas para mergulhar num universo especial são comuns na Ponta da Praia. Ali, na Praça Engenheiro Luiz la Scala Jr., está o endereço que a maioria dos santistas - e muitos turistas - sabem de cor: o Aquário Municipal. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Falamos de um senhor que completará 80 anos em 2025, mas que mantém a disposição e curiosidade de uma criança. E bastante visitado: entre novembro de 2022 e fevereiro deste ano, o parque recebeu 171.042 visitantes, número 53,5% maior do que no mesmo período entre 2021 e 2022, com 111.360 visitas. Ali, cabem adultos, idosos, crianças e, é claro, a vida marinha em sua plenitude. “Estou há sete meses no Aquário de Santos. É uma referência em Biologia. Muitos dos animais que usei na minha tese de doutorado vivem aqui. A gente conhece a história das pessoas que passaram por aqui, do leão-marinho Macaé, e tantas outras coisas. É programa obrigatório para quem vem a Santos, pertence ao morador. Quando você fala que trabalha aqui, sente essa afetividade”, descreve o doutor em Ecologia e biólogo Marco Aurélio Gattamorta. Ele foi o condutor de um tour pelo Aquário na última quinta-feira, onde o silêncio reinou, fruto da ausência do público por conta da manutenção. Foi a chance de ver de perto uma outra face do equipamento que conta, atualmente, com 117 espécies de animais e cerca de 520 peixes, anfíbios, répteis e aves, distribuídos em 32 tanques. A cada parada, histórias e curiosidades de um universo que não cabem em um aquário. O parque passa hoje por algumas reestruturações e melhorias, que serão constantes ao longo dos próximos anos, tendo em vista a aproximação do aniversário de 80 anos. “A gente tem um relatório de diagnóstico do parque todo, elaborado no ano passado, com a proposta de reformas e uma possível ampliação, mas nada está confirmado”, frisa. Pessoal Quem vai ao Aquário não faz ideia da quantidade de profissionais que o equipamento abriga. São, ao todo, 52 trabalhadores, entre coordenador, biólogos, veterinários, tratadores, funcionários administrativos, bolsistas e estagiários. Um dos destaques fica para a parte de reabilitação de animais. “Quando notamos que o animal não está se alimentando, a gente reforça o cuidado no manejo. Retiramos dos tanques, preparamos um espaço específico para eles, e aí a gente aciona o setor veterinário, que faz uma medicação com base no diagnóstico para, posteriormente, eles voltarem aos tanques após recuperados”, explica Gattamorta. O cuidado se estende aos animais que chegam ao Aquário. “Existe um protocolo básico para quem chegou. Há uma quarentena, onde recebemos o animal e o setor veterinário faz medicação para erradicação de parasitas, além de avaliar as suas condições. Depois desse período, eles descem para o tanque”, complementa. [[legacy_image_254508]] Pesquisa O biólogo reforça o papel do Aquário Municipal de Santos quanto a pesquisas e trabalhos acadêmicos. Por meio de faculdades e universidades, incluindo áreas do conhecimento como comportamento animal, anatomia, fisiologia e biologia aplicada, entre outras. “Vários trabalhos de mestrado e doutorado saíram daqui. Temos desenvolvidos com a USP, assim como a Unesp e a Unifesp buscando parceria para alguns trabalhos, especialmente nas áreas de anatomia e biotecnologia. A ideia é de que o Aquário não faça apenas exposição dos animais, mas traga e estimule o conhecimento científico”, sustenta o biólogo. Ao longo dos corredores, com ou sem visitantes, a sensação de paz é a mesma: do mar, a vida ecoa. “Nele, tem tudo o que sempre buscamos, que é paz de espírito”, acrescenta Marco Aurélio. Dá para acrescentar outra palavra: encantamento. Procurando Nemo Um dos tanques mais procurados pelos visitantes é o que traz os peixes que habitam em regiões de recifes, como o peixe-palhaço, o mesmo do filme Procurando Nemo, e o cirurgião-azul, a mesma de sua amiga de aventuras no longa da Disney/Pixar, a “esquecida” Dory. [[legacy_image_254509]] Pinguins comilões Uma das atrações mais queridas pelo público é o grupo de 22 pinguins de Magalhães. O mais novo deles, o Hexa, foi batizado assim por conta da última Copa do Mundo. Com temperatura máxima de 20 graus, seu espaço é dotado de câmara fria e sistema de ar condicionado. Mas a hora da comida é especialmente aguardada. Em fila, eles aguardam o chamado (um assobio) para a hora do banquete. Os pinguins são alimentados duas vezes por dia, uma no período da manhã e outra à tarde. Eles se alimentam de sardinha, até cinco por animal, mas podem também ser alimentados com manjuba, até 25 por animal. Estágio O parque ainda tem grande importância na formação de profissionais da área de biologia e saúde animal, pois conta com um programa de treinamento para estudantes das áreas de Biologia e Medicina Veterinária das faculdades e universidades presentes na Baixada Santista. Atobá e tartaruga O cuidado com os animais que precisam de restabelecimento dá o tom nas atividades. Dois espécimes chamam a atenção: o atobá Tobinha, que tem uma lesão na coluna, e a tartaruga Tertúlia, que foi atropelada por uma embarcação. Ambos pedem uma série de tratamentos, para que retomem seu estilo de vida normal. Educação ambiental Outro ponto forte do Aquário o investimento em educação ambiental. Além de um auditório com capacidade para 45 pessoas. Também existe um trabalho de compostagem, onde o lixo orgânico alimenta minhocas, que são servidas a algumas espécies de peixes.