[[legacy_image_284691]] O número 127 da Rua Santa Catarina, no José Menino, em Santos, guarda uma joia centenária de inestimável valor. Mas, nem por isso, o olhar para o futuro fica disperso. Mira na sustentabilidade e planejamento a longo prazo. Tudo isso amparado numa saúde financeira elogiável. O Clube dos Ingleses e Caiçara caminha para os 134 anos, a serem completados no dia 15 de agosto, unindo tradição e modernidade numa feliz combinação. “A tradição é importante, mas não resiste sem boa formatação. Eu não posso ter tradição e ter um clube deficitário. É um clube que mantém uma área de 15 mil metros quadrados dentro do cinturão verde do José Menino. Paralelo a isso, procura inovar com eventos, atrair pessoas e promover mudanças importantes”, explica o presidente do Clube dos Ingleses e Caiçara, Marcelo Oliveira. O clube, fundado em 1889 como Santos Athletic Club (SAC) – poucos meses do fim do Império – conta atualmente com 1,8 mil sócios, que podem desfrutar de uma estrutura com campo de medidas oficiais, seis quadras de tênis, duas quadras cobertas, um ginásio para aulas de basquete, patinação e futebol de salão, entre outros equipamentos. Já na parte social, o presidente conta que uma mudança de visão tem atraído mais gente para o clube – um exemplo, disso foram os festejos juninos. “Historicamente, o clube sempre foi conhecido por suas grandes festas. Fui diretor social na última gestão e assumi a presidência em março. Um ponto tradicional é a festa junina, mas sempre foi voltada para o sócio. Ano passado, em três dias de festa, foram mais de mil pessoas por dia, com vários shows. Neste ano, colocamos quase dez mil pessoas na festa junina. Foram seis dias de evento, dez atrações, mais de vinte e cinco pontos de alimentação. Foi fantástico”, descreve. PainéisFernandes explica que o clube tem sua preocupação com a sustentabilidade manifestada de várias formas. Da troca das lâmpadas comuns por modelos LED à preservação de árvores, como ipês e pau-brasil. Agora, o Ingleses conta com importante reforço: a adoção de placas solares para captação de energia. São 184 placas sobre as áreas da piscina, corredor ao lado das quadras de tênis e sobre o telhado da entrada, em um investimento de cerca de R\$ 500 mil. A primeira etapa do projeto foi encerrada em maio. Os primeiros efeitos na conta de luz do clube devem ser sentidos em breve. “Vai gerar uma economia de 50% no gasto com energia. Mas a gente pode ter, futuramente, até 100% de economia”, explica, revelando um plano a longo prazo. “O mundo busca energia limpa. Esse projeto traz a possibilidade de energia solar aqui no Clube dos Ingleses gerando energia para o clube e gerando energia inclusive para terceiros. O mercado busca áreas onde você possa fazer a instalação de captadores de energia solar,Nós temos dois ginásios gigantes, que podem ser utilizados para a instalação de painéis solares futuramente”. Plano diretorO presidente atribui o equilíbrio econômico do clube ao cuidado na gestão, especialmente após a incorporação dos associados do Clube Caiçara, no início da década passada. “A gente tem quase certeza que, se não tivesse ocorrido a junção com o Caiçara, o Ingleses não teria conseguido seguir adiante. Mas, independente de todo o capital incorporado do Caiçara, o clube não vive dele. É extremamente saudável financeiramente, entre receitas e despesas”. Nem por isso, o olhar para o futuro é negligenciado, pelo contrário. Está em fase de elaboração um Plano Diretor, que vai nortear futuros investimentos e deve ser apresentado até o final do ano. “É comum, no Brasil, um novo gestor desfazer o que o outro fez, ou querer fazer alguma coisa com a cara dele. Nesse Plano Diretor, cada gestão que assumir o clube será responsável por uma nova obra, respeitando o fluxo financeiro do clube. (...) Aprovado pelo conselho, não tem como ignorar. É mais um plano para as próximas gestões”.