Antonio Carlos Silva Gonçalves: “ As vias já estão consolidadas. Temos que trabalhar o tempo inteiro com tecnologia (para mobilidade)” (Vanessa Rodrigues/AT) Mantido na presidência da Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET) pelo prefeito Rogério Santos (Republicanos), Antonio Carlos Silva Gonçalves afirma que a empresa tem desafios para os próximos anos. Entre eles, os impactos ao trânsito com o futuro túnel entre Santos-Guarujá e após o início da operação do segundo trecho do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), previsto para este semestre. Para os próximos anos de sua gestão, quais são os principais desafios da companhia? A CET teve um avanço muito grande nos últimos quatro anos, porque ela entrou definitivamente no mundo da tecnologia, tanto na parte operacional quanto na parte administrativa. Acho que o grande desafio dos próximos quatro anos é continuar com esse avanço e, cada vez mais, dar condições de fluidez no trânsito, mas pensando na segurança. Observamos que, pelo aumento do número de motos, a quantidade de acidentes está aumentando. Também temos outros desafios para os próximos anos, e o túnel Santos-Guarujá é um. Como os carros vão chegar à embocadura do túnel em Guarujá? Por onde vão chegar? O que vai demandar isso? São 22 mil veículos por dia que vêm do Guarujá. Hoje, se há um acidente na Cônego Domênico Rangoni, por exemplo, os carros vêm pela balsa. Esses veículos, futuramente, irão para o túnel. Qual o volume de carros que virá e que circulará pelo Município? Todas essas questões estão sendo estudadas. Há alguma obra prevista para melhorar a mobilidade urbana? Santos é uma cidade consolidada urbanisticamente, adensada verticalmente, com ruas muito estreitas, sendo 67% das vias com seis metros de largura ou menos. Na área urbana, você não tem a possibilidade de fazer grandes obras porque as vias já estão consolidadas, então, temos que trabalhar o tempo inteiro com tecnologia. Hoje, temos um controle das nossas vias através do Centro de Controle Operacional, que nos possibilita ter, em tempo real, imagem de toda a central semafórica do Município. A CET, por vezes, é alvo de críticas, principalmente a respeito do tempo de espera nos semáforos. Como o sr. as avalia? Por exemplo, anteriormente, criticar Santos porque não tinha sincronismo semafórico era correto. Porém, desde outubro do ano passado o sincronismo está implantado. O que foi criticado no final do ano passado? O ciclo do fechamento (dos semáforos), porque aumentamos para privilegiar os corredores, que são as principais avenidas da Cidade. Aumentamos o ciclo semafórico, que é o tempo que leva do sinal verde ao sinal verde novamente. O tempo, que era de 120 segundos, passou a ser de 180. Quando percebemos que a população não abraça a ideia, fazemos uma readequação. Diminuímos o ciclo em algumas ruas. Na praia, na (Rua) João Pessoa e na (Avenida) Martins Fontes mantivemos os 180 segundos, e o restante da cidade readequamos com cinco programas semafóricos. (...) O trânsito da madrugada é diferente do trânsito da manhã, que é diferente do horário do almoço, da tarde e da noite. Dessa forma, se possibilita que o cidadão não fique parado no semáforo. O VLT tem causado alterações no trânsito da Cidade. Ainda há alguma interdição prevista? Tem. Por exemplo, (...) a altura da rua. (...) O VLT cruza na Rua Frei Gaspar com o bonde (turístico) (...). Por isso, terão que abrir um sulco para poder passar a roda do bonde. Quando fizerem isso, terá uma interdição, que deve ser de dois dias (...). Também terá uma adequação: a construtora terá de fazer uma estrutura de concreto na (Rua) Amador Bueno, entre a (Rua) Braz Cubas e a (Avenida) Senador Feijó, que é algo que deve durar no máximo uma semana. Ainda sobre o VLT, há trechos dos trilhos que cruzam travessias de veículos e pedestres. Como garantir a segurança? O VLT tem algumas conversões que saem do usual do trânsito. Por exemplo, na (Rua) Dr. Cochrane com a João Pessoa. Ali, o VLT segue pelo lado direito do fluxo de carros e, depois, vira para a esquerda. Em trechos como esse, a sinalização de solo está praticamente concluída, e, a partir daí, temos que ir observando o comportamento das pessoas quando o VLT estiver em operação comercial. Durante a fase de testes, colocamos o batedor da CET na frente, e ele segura o trânsito enquanto o VLT faz a conversão. Quando a operação comercial começar, esse batedor não estará mais lá. Então a sinalização tem que estar bem adequada (...). Como está a situação financeira da CET? A situação financeira da CET está extremamente tranquila e administrada. Em novembro, ela tinha dívida de R\$ 58,363 milhões, que é de tributos, e está amortizando, ano a ano (...). Até o final do governo do prefeito Rogério, a CET terá pago 90% da dívida que possui. Essa dívida foi renegociada com o Governo Federal (...). Hoje, a CET é uma empresa saudável e tem recursos para pagar o passivo.