[[legacy_image_128047]] A Prefeitura de Santos não explicou detalhes sobre a necessidade da transferência de médicos de áreas administrativas e de fiscalização para unidades de atendimento ao público, como policlínicas e ambulatórios. Segundo a Administração Municipal, o “objetivo é agilizar a assistência aos munícipes, reduzir filas e melhorar o diagnóstico precoce de doenças”. A ordem de serviço para a realocação dos profissionais para atender “demandas reprimidas” foi publicada no Diário Oficial do Município na última segunda-feira (22). A Prefeitura admite que há problema para atender o volume de pacientes, situação provocada pela pandemia, que chegou a paralisar os serviços. Além disso, cita como agravante a crise econômica, que fez muita gente deixar planos de saúde e depende do SUS. Porém, quando questionada sobre a quantidade de pessoas que aguardam consultas e exames na Cidade, o tempo de espera na fila e as unidades que precisam de mais profissionais, a Administração não respondeu. A Tribuna também pediu entrevista com o secretário de Saúde, Adriano Catapreta, ou qualquer outro representante da Secretaria, durante três dias. Mas a resposta foi todos estavam ocupados em outros compromissos em todas as datas. Segundo a Prefeitura, foram identificados 12 profissionais, a maioria médicos, que serão realocados para as unidades assistenciais de acordo com a sua especialidade: os clínicos devem atender nas policlínicas, já especialistas, nos ambulatórios de especialidades ou hospitais. “A Secretaria de Saúde segue com o mapeamento e mais profissionais poderão ser realocados, uma vez que o objetivo é priorizar o atendimento direto ao munícipe nas unidades assistenciais”, diz, em nota. Em relação às consultas mais aguardadas, a nota cita as especialidades cardiologia, fisioterapia, cirurgia vascular, ortopedia e gastroenterologia. Já exames, audiometria, colonoscopia, ecocardiograma, teste ergométrico e endoscopia. Tempo de espera e tamanho da fila não foram informados. Para não fornecer os dados à Reportagem, a Prefeitura alega que “os números são variáveis em função de dois fatores: os atendimentos realizados diariamente e, na outra ponta, os que entram na lista de espera”. Mas afirma que, atualmente, 63,5% dos exames e consultas são atendidos dentro de 30 dias. Medida necessáriaA Prefeitura diz que a medida é necessária uma vez que, pela Lei Federal 173/2020, os municípios e Estados estão impedidos de chamar novos profissionais para compor seus quadros, exceto em caso de falecimento, exoneração e aposentadorias ocorridos em 2020 e 2021. Em Santos, a lei gerou um déficit de 10% no total de profissionais nos últimos dois anos. Em 2021, os atendimentos eletivos precisaram ser suspensos em março e retornaram em junho (consultas e exames). Já as cirurgias, em julho. O município não parou de atender os casos oncológicos, as urgências (consultas, exames e cirurgias), pré-natal e o acompanhamento dos bebês durante o 1º ano de vida.