Atualmente, nenhum condomínio de Santos está interditado, sob acompanhamento emergencial ou precisa realizar obras imediatas de reaprumo (Sílvio Luiz/ AT) Eles chamam a atenção de moradores e turistas há décadas e se transformaram em um dos cartões-postais mais curiosos da orla da praia de Santos, no litoral de São Paulo. Os famosos prédios tortos continuam despertando dúvidas sobre a segurança das construções, mas a Prefeitura garante que, apesar da inclinação visível, nenhum edifício apresenta risco estrutural ou necessidade imediata de correção. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As informações foram obtidas por A Tribuna junto à Administração Municipal, que explicou como funciona o acompanhamento das edificações inclinadas e por que elas permanecem seguras mesmo após décadas de desaprumo. Não há prédios interditados Segundo a Prefeitura, todos os edifícios inclinados passam por monitoramento técnico periódico. Atualmente, nenhum condomínio está interditado, sob acompanhamento emergencial ou com necessidade de realizar obras imediatas de reaprumo, procedimento utilizado para corrigir a inclinação de um edifício. Os levantamentos são apresentados anualmente pelos condomínios e analisados pelo Município. Quem faz o monitoramento? Embora muita gente imagine que a Prefeitura seja responsável pelas inspeções, isso mudou há mais de uma década. O primeiro levantamento geral dos prédios inclinados foi realizado entre 2012 e 2013. Desde então, a responsabilidade pelas avaliações passou a ser dos próprios condomínios, conforme determina a Lei Complementar 441/2001, conhecida como Lei da Autovistoria. Cada edifício deve contratar um engenheiro ou arquiteto habilitado para elaborar um laudo técnico, que analisa a estabilidade da construção e indica se há necessidade de manutenção ou de alguma intervenção estrutural. Caso o documento aponte problemas, a Secretaria de Obras e Edificações (Seobe) pode determinar a execução das obras necessárias. Por que Santos tem tantos prédios tortos? A inclinação dos edifícios é consequência de características próprias da cidade da Baixada Santista. De acordo com a Prefeitura, o problema está relacionado ao tipo de fundação utilizado nas construções erguidas há mais de 60 anos, aliado às condições do solo santista, formado por camadas de areia e argila mole. Com o passar do tempo, parte das edificações sofreu recalques diferenciados, quando um lado da fundação afunda mais do que o outro, provocando a inclinação que hoje se tornou uma marca registrada da orla. Como a inclinação é acompanhada? O acompanhamento é realizado por meio de leituras topográficas periódicas, cuja frequência é definida pelo profissional responsável por cada condomínio. Além das medições, também é feita uma análise estrutural para verificar se houve qualquer alteração que possa comprometer a segurança da edificação. Segundo a Prefeitura, as avaliações seguem os critérios estabelecidos pela NBR 6118, norma técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que trata do projeto e da segurança de estruturas de concreto. Quais são os prédios mais tortos? Uma das maiores curiosidades sobre o assunto permanece sem resposta. Questionada por A Tribuna sobre um possível ranking dos edifícios mais inclinados de Santos, a Prefeitura informou que não divulga os nomes dos condomínios, nem a classificação das maiores inclinações, alegando que as informações fazem parte dos laudos apresentados pelos próprios edifícios. Mesmo sem revelar quais construções lideram esse levantamento, a Administração Municipal reforça que os relatórios técnicos entregues anualmente apontam que nenhum prédio apresenta risco estrutural, o que significa que a inclinação, por si só, não representa perigo para os moradores. Uma marca de Santos Conhecidos internacionalmente, os prédios tortos se tornaram um dos símbolos urbanos de Santos. O fenômeno é tão característico que muitos visitantes fazem questão de fotografar as fachadas inclinadas durante passeios pela orla. Apesar da aparência inusitada, a Prefeitura destaca que essas edificações seguem sendo acompanhadas por profissionais especializados e que a segurança depende das avaliações técnicas periódicas — e não apenas do grau de inclinação percebido a olho nu.