O prédio vem sendo utilizado pela Prefeitura como um abrigo provisório a pessoas em situação de rua (Alexsander Ferraz/AT) O antigo prédio da Unidade Municipal de Ensino (UME) Edméa Ladevig, na Rua Bahia, no Gonzaga, em Santos, tem sido alvo de reclamações de moradores do entorno. Após a desativação da escola e a transferência dos alunos para a nova UME Edson Arantes do Nascimento, na Avenida Ana Costa, o imóvel passou a funcionar como abrigo a pessoas em situação de rua, em caráter provisório. De acordo com vizinhos, a medida trouxe problemas de segurança, sujeira e perturbação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Porteiro de um edifício da Rua Bahia, Fábio Ribeiro de Oliveira relata que os transtornos foram mais intensos nas primeiras semanas após a instalação do abrigo. “No começo era discussão, briga entre eles, cachorro latindo na frente, palavrão”, afirma. Segundo ele, a presença recente de viaturas da Guarda Civil Municipal (GCM) ajudou a reduzir o problema. “Quando a guarda aparece, eles vão embora, mas depois voltam. O pessoal fica meio assustado. Tem gente que atravessa a rua para não passar por ali”. A administradora Amanda Elisiário mora no bairro há 15 anos e afirma que a rotina na quadra foi alterada. “Fica uma fila de moradores de rua, cachorro. As calçadas estão imundas, com restos de lixo, marmitas, roupas e bitucas de cigarro”. Consumo e tráfico de drogas Uma das principais preocupações é a suposta presença de drogas no entorno da antiga escola. Um morador, que preferiu não se identificar, afirmou que a esposa presenciou o ‘delivery’ de entorpecentes a uma pessoa na frente do prédio. “Ela viu um motoqueiro chegar e entregar droga para um dos moradores”. Outro morador confirma. “Veio agora traficante de crack. Aparecem em horários diferentes. Já chamaram a polícia, mas quando a viatura chega, eles vão embora”. O fotógrafo Daumer Di Giuli corrobora o consumo de drogas em frente ao imóvel. “Eles ficavam atrás da lixeira. Agora deu uma acalmada porque colocaram policiamento ali, mas o medo continua, porque ninguém sabe o quanto vai durar”. Sujeira Além da preocupação com segurança, os moradores reclamam da falta de limpeza no entorno do imóvel. “Tem fezes pela calçada, lixo espalhado e um cheiro muito forte. Algumas áreas acabaram virando banheiro público”, diz um morador que não quis se identificar. Apesar das críticas, moradores reconhecem que a presença constante, nos últimos dias, de agentes da Guarda Municipal dias reduziu a concentração de pessoas na frente do prédio. A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP) afirma que a Polícia Militar não encontrou registros no local mencionado e se coloca à disposição por meio do Disque Denúncia (181, anônimo) ou pelo 190. Temporário Em nota, a Prefeitura de Santos informou, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Seds), que a utilização do antigo prédio da UME Edméa Ladevig como espaço de acolhimento é uma medida provisória e emergencial, que deve ser encerrada na primeira quinzena deste mês. O local recebe temporariamente 67 pessoas acolhidas da Seção de Abrigo para Adultos, Idosos e Famílias em Situação de Rua (Seabrigo-AIF) e da Casa Conselheiro Saraiva, em razão de serviços de manutenção e adequações estruturais nas unidades. Sobre as reclamações relacionadas à segurança, o Município afirmou que a Secretaria Municipal de Segurança atua com a Guarda Civil Municipal e tem apoio da PM no patrulhamento preventivo.