[[legacy_image_159852]] Os preços dos ovos de Páscoa nos supermercados estão levando consumidores a procurar opções mais baratas para presentear as crianças no feriado, em 17 de abril. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Tribuna esteve neste domingo (13) em uma loja do Gonzaga, em Santos, e encontrou variação de até R\$ 32,00 entre ovos de tamanhos semelhantes e marcas diferentes. Um deles custava R\$ 39,99 (176 gramas), e outro, R\$ 71,99 (150 gramas). Se o consumidor optar por uma barra de chocolate da mesma marca do ovo, pode pagar até quatro vezes menos. A barra de 100 gramas da mesma marca do ovo de 176 gramas custa R\$ 5,00. Proporcionalmente, 100 gramas de chocolate desse ovo sairiam por R\$ 22,72, mais de quatro vezes o preço da barra. A professora Silvia Malpighi, de 42 anos, disse que há cinco trocou os ovos por barras. Ela só presenteia os pequenos. “Neste ano, a menorzinha da família não come chocolate ainda. Então, nos demos bem”, brinca. Quando precisa comprar ovos para as crianças, ela opta pelos menores e compra também uma barra de chocolate. “É só simbólico.” A autônoma Tainá Chaves, de 35 anos, começou a vender doces há pouco mais de cinco anos. No ano passado, decidiu passar a fazer ovos de Páscoa. “Sempre foi caro, mas só foi piorando ao longo do tempo. Hoje, você não paga o chocolate, paga o brinquedo dentro”, diz ela, que tem um filho de 9 anos e um de 3. SímboloO preço da barra de chocolate acumula alta de 10,53% nos últimos 12 meses, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Esse indicador acompanha o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial no período, em 10,38%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Gegreafia e Estatística (IBGE). Os dados são de fevereiro. Segundo o economista Matheus Peçanha, da FGV, o ovo mantém um valor simbólico. “Em relação à barra, o ovo tem um efeito comportamental. Tanto o preço é maior quanto a inflação dele costuma ser maior do que a da barra de chocolate, pelo mesmo efeito comportamental”, diz. Mudança de hábito O economista Fernando Wagner Chagas afirma que o desemprego, a queda de renda de trabalhadores e, principalmente, a inflação acima de dos digitos comprometeram o poder aquisitivo do consumidor de forma generalizada. Por isso, dá prioridade à compra de gêneros de primeira necessidade ou à substituição de marcas conhecidas por outros mais em conta. “As pessoas passam a procurar medidas que permitam comemorar a Páscoa, presenteando toda a família com chocolates, mas comprando produtos que caibam no seu orçamento doméstico”, menciona. De acordo com Chagas, a situação faz soluções criativas ganharem espaço. “Em tempo de desaceleração da economia e preços altos, o consumidor deve se adaptar à situação e, ao mesmo tempo, contentar, sobretudo, os seus filhos com soluções que estejam dentro da realidade.”