Em projeto-piloto, os primeiros geobags foram instalados em 2018 pela Prefeitura de Santos em parceria com a Unicamp (Prefeitura de Santos/ Divulgação) A instalação de novos geobags no mar de Santos, entre os canais 4 e 6, é a principal aposta para conter a erosão costeira e reduzir os impactos das ressacas e do avanço do mar na orla da cidade da Baixada Santista, no litoral de São Paulo. O projeto, sob responsabilidade da Autoridade Portuária de Santos (APS), prevê a criação de dois quebra-mares submersos, um com 400 metros de extensão entre os canais 4 e 5, e outro com 500 metros entre os canais 5 e 6, ampliando a área de proteção já existente na Ponta da Praia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As estruturas serão formadas por geobags, também chamados de geotubos, que são grandes bolsas de material têxtil preenchidas com areia. Esses dispositivos serão instalados sobre tapetes antissocavação e contarão com proteção de rochas na base, garantindo maior estabilidade diante da força do mar. Os novos geobags serão instalados entre o Canal 4 e o 6 (região assinalada em vermelho) devido à eficiência comprovada do projeto-piloto (marcado em azul), instalado em 2018 na Ponta da Praia, em Santos (Divulgação/APS) Nova faixa de proteção no mar A iniciativa integra um projeto mais amplo de proteção costeira, que abrange o trecho entre a Ponta da Praia e o Canal 4. Além da recuperação e melhoria do projeto-piloto implantado em 2018 na Ponta da Praia, a proposta amplia o sistema com a criação de novas barreiras submersas justamente nos pontos mais suscetíveis à ação das ondas. Segundo a APS, “a função fundamental desses quebra-mares submersos é atenuar a força das ondas que chegam à praia”. A Autoridade Portuária também destaca que “esse amortecimento é essencial para eventos climáticos extremos, minimizando os efeitos destrutivos de ressacas e protegendo a infraestrutura urbana instalada na orla”. Duas etapas Para viabilizar a obra, o cronograma prevê duas etapas, levando em conta as características do solo marinho. Na primeira fase, com duração estimada de três meses, serão instalados geodrenos para acelerar o assentamento do terreno, além da colocação da primeira camada de geotubos. Já a segunda etapa, prevista para ocorrer após cerca de 12 meses de estabilização do solo, terá duração aproximada de dois meses e será responsável por elevar a estrutura à altura final. Atualmente, o projeto está em fase de licenciamento junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Após essa etapa, devem ser iniciados os processos de contratação e execução. Estratégia baseada em experiência anterior A ampliação do uso de geobags se apoia em resultados já observados na própria orla de Santos. Em 2018, projeto-piloto foi implantado na Ponta da Praia, com estruturas submersas posicionadas em formato de “L”, compostas por 49 sacos de geotêxtil. Durante a ressaca de 11 de setembro de 2022, análises da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), com base em imagens de satélite e monitoramento técnico, apontaram que a área protegida pelos geobags foi a menos atingida. A estrutura ajudou a reduzir danos em calçadas e conter o avanço do mar naquele trecho. O sistema instalado conta com uma barreira perpendicular à praia, com 275 metros, responsável por dissipar a energia das ondas, e outra paralela, com 245 metros, que auxilia na retenção de areia. Primeiros geobags foram instalados na Ponta da Praia para conter a violência do mar em Santos (Reprodução) Erosão costeira e avanço do mar A erosão costeira é um problema recorrente em Santos, intensificado pela ocorrência de ressacas e pelas mudanças climáticas. O avanço do mar compromete a faixa de areia e pressiona a infraestrutura urbana da orla, exigindo medidas de adaptação. Nesse cenário, soluções como os geobags têm sido adotadas para reduzir a energia das ondas e preservar a linha da costa. A estratégia está alinhada a iniciativas mais amplas da cidade, que foi pioneira no Brasil ao lançar, em 2016, o Plano Municipal de Mudanças Climáticas, tornando-se referência nacional no tema. A ampliação das estruturas entre os canais 4 e 6 representa, portanto, um novo passo na tentativa de conter os efeitos da erosão e aumentar a proteção da orla de Santos.