O trecho do Canal 5 à Ponta da Praia é onde a faixa de areia tem ficado mais reduzida em Santos (Divulgação / Bruno Scarpa) O aumento do nível do mar, a intensificação das ressacas e a erosão costeira estão entre os fatores que vêm reduzindo a faixa de areia de praias no litoral de São Paulo. Na Baixada Santista, esses impactos já são visíveis, com destaque para Santos, no trecho entre o Canal 5 e a Ponta da Praia, que, nas últimas semanas, se mostra menor do que o habitual. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O professor do Instituto do Mar, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - Campus Baixada Santista, Ronaldo Christofoletti, estuda há anos a relação entre o clima e os processos oceânicos. Ele explica que o aumento do nível do mar, a intensificação das ressacas e a erosão costeira, quando acontecem juntos, contribuem para diminuição mais expressiva da faixa de areia nas praias, como se vê em Santos. Segundo o especialista, a maior vulnerabilidade do trecho entre o Canal 5 e a Ponta da Praia em relação a outras áreas também está ligada à declividade local. Ou seja, o formato de inclinação da região e a forma como as correntes chegam e incidem sobre ela. “Se olharmos o mapa de Santos, veremos que vivemos na Baía de Santos. A entrada da baía é voltada para o sul. E normalmente, as frentes frias e os ventos vêm do sul. Então, as correntes ficam um pouco mais fortes na região”. Urbanização escolhida há décadas atrás A circulação e a hidrodinâmica da Baía de Santos fazem com que essa área seja mais impactada. De acordo com o especialista, a “nossa escolha de urbanização nas décadas atrás” traz consequências, já que o mar está subindo e a força das ondas vem se intensificando cada vez mais. “Ali é uma região delicada. O que acontece é que o mar está clamando de volta parte daquela região de amortecimento, onde teríamos manguezais e restinga, e nós tiramos e colocamos concreto”. Quando as correntes chegam principalmente na Ponta da Praia, encontram estruturas de concreto (muretas etc.) e, mesmo com medidas de contenção que ajudam a reduzir a força das ondas, como os geobags, ainda assim toda ação gera uma reação. Em vez de a água chegar à Ponta da Praia e ser absorvida por áreas que antes eram de manguezal e restinga, ela agora encontra uma superfície que reflete essa energia e retorna, alterando a dinâmica local e contribuindo para a remoção de mais sedimentos.