Questões foram apresentadas e discutidas ontem, no Parque Tecnológico, por participantes do último encontro do projeto Santos 500+. Complexo está no limite da capacidade, citam debatedores (Vanessa Rodrigues/AT) Destravar investimentos no Porto de Santos, diminuir a burocracia e construir o profissional do setor para o futuro — cada vez mais presente —, de olho na tecnologia, estiveram no radar do sexto e último encontro do projeto Santos 500+, realizado nesta sexta-feira (3), no auditório do Parque Tecnológico de Santos, na Vila Nova. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Talvez o setor portuário e logístico brasileiro precisasse ter uma espécie de Poupatempo, algo que facilite o trâmite, porque é complicado para a gente”, sugere o CEO da Brasil Terminal Portuário, Cláudio Oliveira. “Precisamos pensar muito seriamente quanto está custando para o Porto e para a nossa Cidade não fazer as coisas no tempo em que a gente precisa”, emenda. O dirigente lembra que, caso o Porto de Santos não aumente logo sua capacidade, os armadores vão buscar outras alternativas, no que perderiam o próprio complexo santista, o Município e os trabalhadores. Oliveira citou como grande exemplo a demora na licitação do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no cais do Saboó, envolto em um vaivém de análises por órgãos, enquanto o Porto opera na totalidade de seu limite. “Se tudo correr bem e ainda não sabemos quando isso vai acontecer, levará cinco anos para esse terminal estar operando 100%. Ele já vai nascer, provavelmente, com a capacidade tomada. Quando ficar definido o ganhador do Tecon Santos 10 e for assinado o contrato, temos que imediatamente pensar no próximo terminal”, argumenta. O deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSD) aplicou o mesmo pensamento para a futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, de olho nos caminhões. “Estamos falando de uma obra que vai terminar depois de 2030. Pensando no futuro e sabendo que todos os anos o Porto bate recordes, quando ela for finalizada, vamos ter necessidade da quarta conexão.” Qualificação Em meio ao crescimento portuário, vem a preocupação com a qualificação do trabalhador, em tempos de inteligência artificial e tecnologia mais do que presentes. “Isso impacta na relação de trabalho e tem que ser acompanhado, de fato, de uma transição e uma qualificação. Existe a manutenção de alguns empregos e funções específicas, mas também a criação de outros postos”, disse o secretário de Assuntos Portuários e Emprego, Bruno Orlandi. O secretário citou a parceria entre a Prefeitura de Santos e a Fundação Centro de Excelência Portuária de Santos (Cenep), da Autoridade Portuária de Santos (APS). “Desenvolvemos um curso de mecânica portuária, demanda necessária da área. Fechamos a primeira turma e estamos abrindo a segunda, além da primeira de eletricistas no setor. Mas essa é a manutenção do emprego que existe hoje. Na qualificação do profissional do futuro, podemos citar o próprio Parque Tecnológico como um grande celeiro para desenvolver talentos na área da tecnologia”, exemplifica. Transformação requer ação conjunta de segmentos O supervisor de Transformação Digital do Porto de Santos, Rogério Saran, defende que as mudanças de olho no futuro do Porto e da Cidade estão nas pessoas que atuam nos diversos segmentos. “Todo mundo vai ter que sair do seu cantinho, olhar para o lado, se expor e interagir. Antes dos futuros profissionais, muitos ainda no Ensino Fundamental 1, por exemplo, temos um trabalho de aprimoramento na cabeça de todos que já trabalham nesse ambiente”, afirma. A intenção é tirar os envolvidos da zona de conforto e estimular a participação geral. “Temos que ser inconformados. Não pode haver o conforto de tocar as coisas do jeito que estão sendo tocadas hoje. O Porto e a Cidade somos nós, as pessoas. A mudança acontece delas. Isso tem uma pressão impossível de ser contida. Vai melhorar se a comunidade participar”, explica. Além da contribuição do próprio Parque Tecnológico de Santos, local do evento, o Hub de Inovação Armazém 7, inaugurado em maio, no Parque Valongo, e gerido pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie, também faz parte disso. “Ele (o hub) também é de inovação. É a construção de um território educador, conectando o cais com a Cidade, discutindo interação e integração urbana, mas com um eixo profundo. Temos que investigar e trazer as respostas do que acontece ao redor”, comenta o diretor de Administração do Instituto Presbiteriano Mackenzie, Eduardo Abrunhosa. Santos 500+ realizou seis encontros, sobre demografia, trabalho, clima, mobilidade, verticalização e Porto (Vanessa Rodrigues/AT) Debates indicam pistas para Cidade crescer com qualidade Depois dos seis encontros do projeto Santos 500+ neste ano, a gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, Arminda Augusto, avalia que tudo o que foi debatido fornece pistas para saber o que é preciso fazer agora para a Cidade continuar crescendo com qualidade e boas condições para toda a população, mantendo foco no desenvolvimento econômico. “Principalmente se entendermos que, sim, seremos uma população com mais pessoas idosas, impactada cada vez mais pelas mudanças climáticas e eventos extremos, com prédios mais altos e desafios de mobilidade urbana”, acrescenta. As discussões começaram com demografia, para entender quem seria o santista de 2046, seu perfil e suas faixas etária e econômica. Depois, passaram por formação do mercado de trabalho, mudanças climáticas, mobilidade urbana, verticalização e Porto. “Todas as interfaces são conhecidas mas, agora, é preciso pensar em políticas públicas que deem respostas mais assertivas e eficientes de curto, médio e longo prazos. Há muito trabalho pela frente, e fico bem feliz de termos conseguido reunir um time bom de especialistas e gestores para debater essas questões”, projeta Arminda. O diretor de Negócios do Grupo Tribuna, Demetrio Amono, considerou que a série foi uma grande contribuição. “É nosso papel fomentar essa discussão e olhar para a frente. Os 500 anos de Santos estão batendo à porta, e precisávamos dessa discussão do que precisamos fazer para mitigar riscos e aproveitar as oportunidades para ter mais desenvolvimento sustentável.”