Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos fica em Santos e foi construído em 1534 (Alexsander Ferraz/AT) Transformar o Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos, que fica em Santos, em patrimônio mundial pelo Órgão das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Esse é o objetivo da Universidade de São Paulo (USP), que administra o local. Nessa jornada, um material produzido pelo professor do Instituto Marítimo da Universidade de Ghent, na Bélgica, Eric Van Hooydonk, será decisivo para que isso vire realidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ele comandou, no último sábado, uma palestra e defendeu que o Engenho dos Erasmos possui atributos que o levariam à condição de patrimônio universal. Um deles é a conexão com a história de diversos países, como Portugal, Bélgica, Holanda, e o continente africano, por exemplo. “É uma história de importância global também, porque o açúcar era uma das plantações coloniais. O Brasil, por muito tempo, foi o maior produtor de açúcar, e a minha cidade (Antuérpia) era o maior mercado no século 16. Há muitas ligações entre a Holanda, Bélgica e este local”, afirma. Para ele, a Unesco terá subsídios suficientes para oferecer essa designação ao sítio arqueológico. “Ela aplica vários critérios para selecionar locais como patrimônio mundial. E o mais importante é ser um local de valor universal. E descobri que vários foram usados para reconhecer lugares semelhantes em outros países. Então, há jurisprudência”, sugere. Caminho Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP, Amâncio Jorge Silva Nunes de Oliveira entende que o caminho até a concretização desse processo será longo, mas com êxito. “O processo de submissão é muito longo. Não é a questão tanto do julgamento, mas é muito detalhista, uma comprovação documental muito grande. Isso demanda uma equipe muito qualificada para fazer isso. Esse é nosso principal desafio: montar toda uma equipe jurídica, de historiadores, para poder montar o processo do pleito”, raciocina. Ele crê que a montagem do processo leve cerca e dois anos para, então, ser submetido à Unesco. “Foi uma palestra que dá todo o contexto histórico e de suporte, trazendo mais legitimidade e força para o pleito”.