Tema se destacou no evento, com especialistas brasileiros e estrangeiros debatendo avanços e desafios em Santos (Alexsander Ferraz/ AT) A polilaminina, substância que ganhou projeção nacional por possíveis efeitos na recuperação de lesões medulares, ainda não tem eficácia comprovada e requer estudos novos e mais robustos antes de qualquer aplicação clínica ampla. Assim reforçaram especialistas na manhã desta sexta-feira (17), durante o Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação, realizado em Santos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O médico fisiatra Celso Vilella Matos, presidente da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR) e do congresso, avalia que, apesar de sinais iniciais, “hoje a gente não pode dizer que a polilaminina tem evidência científica”. O tema foi um dos destaques do evento, que reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros no debate de avanços e desafios da reabilitação. Na conferência de abertura, as pesquisadoras à frente do estudo, a bióloga Tatiana Sampaio e a médica fisiatra Denise Xerez, apresentaram dados preliminares e atualizaram o cenário do estudo. A equipe mesma reconhece que o trabalho ainda está em fase inicial. Segundo Denise, o projeto-piloto nem sequer focava na efetividade da substância. “O desfecho esperado era a biossegurança, que foi comprovada. A melhora foi uma surpresa também para nós e nos deixou muito animados. Entre os resultados observados, a equipe destaca a evolução funcional de pacientes com lesão medular completa. De acordo com Denise, todos os participantes do grupo inicial apresentaram algum grau de melhora. No entanto, os dados ainda precisam ser confirmados. Casos mais expressivos, como o de Bruno Drummond, de 31 anos, que voltou se movimentar, também são tratados com cautela: é “um paciente fora da curva”. Matos: ainda sem evidência. Denise: biossegurança provada (Alexsander Ferraz/AT) Falta validar O estudo ainda não foi publicado em revistas científicas com revisão por pares — etapa considerada essencial para validação de pesquisas. De acordo com Villela, um novo estudo está em andamento, com participação de universidades e hospitais, com critérios mais rigorosos. Denise afirmou que uma nova versão do trabalho foi submetida à revista acadêmica britânica Nature.