Situação pode ser vista em diversas ruas do Centro de Santos (Reprodução) Os imóveis históricos no Centro de Santos têm se tornado alvo do crescimento de plantas em suas estruturas e fachadas. Em diversas ruas, como a General Câmara e a Senador Feijó, com destaque para construções antigas, como a Igreja Nossa Senhora do Carmo, é possível notar as raízes que não apenas comprometem a estética, mas também contribuem para a falta de segurança, já que materiais que compõem a construção podem ceder. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O arquiteto da Prefeitura de Santos, Ney Caldaltto, explica que o problema normalmente acontece porque "estamos em um clima muito quente e úmido", e as condições climáticas, aliadas à ausência de manutenção desses imóveis antigos, fazem com que as sementes existentes nas areias que compõem as argamassas de revestimento acabem brotando. "Esse fator se agrava em argamassas antigas que são compostas por cal virgem. Possivelmente, essa argamassa é até um nutriente", diz ele. As plantas vão crescendo, e como não há manutenção, elas persistem, como se a natureza tivesse ocupado seu lugar original, principalmente nas alvenarias feitas de pedra, segundo o arquiteto. "Alguns arbustos que vão crescendo e vão colocando em risco parte dessa argamassa não causam nenhum problema estrutural nas paredes, em regra geral. Até as próprias raízes vão se embrenhando nessas alvenarias, fazendo parte da arquitetura", afirma. Ney Caldatto afirma que já enfrentou problemas graves desse tipo no Teatro Guarany e que as plantas foram removidas "com muita cautela" até cessar o brotamento. Ele também acredita que esses arbustos são mais comuns nos revestimentos. De acordo com o profissional, a melhor forma de precaver o imóvel é "arrancar as plantas com cuidado, substituir o revestimento e lavar o local". "Essas vegetações vão surgindo, inclusive em prédios novos. Em calhas que acumulam terra, as plantas vão surgindo, porque o clima da cidade favorece exatamente isso", conclui. Em casos mais avançados de invasão de plantas na arquitetura de imóveis, o ideal, segundo Caldatto, é "aplicar fungicidas e herbicidas para matar a vegetação ou mesmo arrancar com cuidado". Mesmo assim, ele alerta: "Sempre vai persistir. Não adianta, por mais que você restaure um edifício, substitua a argamassa, daqui a uns dez anos vai surgir de novo". Para ele, a melhor maneira de evitar o problema é solucionar antes que ele se agrave. "Qualquer sinal de surgimento de vegetação já tem que tomar providência". Condição estrutural A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura de Santos sobre as condições estruturais dos edifícios históricos do Centro afetados por vegetação em sua arquitetura e recebeu informações de que a Administração "realiza constantes vistorias, por meio da Coordenadoria de Fiscalização, Segurança e Normas Técnicas da Secretaria de Obras e Edificações (Seobe), nos imóveis do Centro Histórico de Santos". Ainda de acordo com o Município, as fiscalizações das condições estruturais dos imóveis ocorrem regularmente e são adotadas as providências necessárias de acordo com o Código de Posturas do Município e com a Lei Complementar 441/01, que dispõe sobre a obrigatoriedade da apresentação de laudo de autovistoria técnica pelos proprietários ou responsáveis das construções. As vistorias do Departamento de Proteção e Defesa Civil são realizadas assim que há informação ou solicitação sobre a presença de risco de queda de material ou até mesmo após queda de material no local. "Quando é identificado algum risco, elaboramos Relatório Técnico e encaminhamos ao setor competente para tomada de medidas administrativas", explicou a Prefeitura. Além das vistorias solicitadas, por meio de força-tarefa, foram vistoriados 363 imóveis no Centro que apresentavam algum tipo de patologia com risco de queda de material. Em alguns desses imóveis, os proprietários atenderam às notificações e efetuaram a recuperação, enquanto outros não atenderam as notificações. Diante do risco iminente, a Prefeitura realizou indução ou limpeza de fachada. Atualmente, um imóvel na Rua General Câmara, 251/253 encontra-se interditado após vistoria. O proprietário já foi intimado a providenciar os serviços necessários. Os munícipes podem realizar denúncias por meio da Ouvidoria da Prefeitura. Lembrando que os imóveis da cidade estão sujeitos à LC 441/2001, que estabelece a obrigatoriedade da apresentação de laudos de vistoria técnica. O responsável técnico pelo laudo, seja engenheiro ou arquiteto, é civil e criminalmente responsável por suas conclusões e pela execução das obras ou serviços indicados.