[[legacy_image_90474]] A Unimed Santos, convênio pelo qual o cardiologista Walter Nei Nascimento atendia, confirmou, nesta quinta-feira (11), à A Tribuna que o médico não atende mais os beneficiários da cooperativa. Porém, Nascimento continua com o registro profissional ativo, conforme nova consulta no portal do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A cooperativa comunicou, ainda, que aguarda posicionamento do Conselho, e como o trânsito em julgado da ação em andamento. Em nota enviada à reportagem, a Unimed Santos disse não ter como exclui-lo como médico cooperado enquanto não houver manifestação dos órgãos competentes. A Tribuna tentou ligar no consultório do cardiologista durante a tarde de quarta-feira (11), mas ninguém atendeu. O Cremesp informou que está investigando as denúncias e que as investigações tramitam sob sigilo determinado por Lei. Denúncias A Tribuna ouviu duas mulheres que denunciaram supostos abusos em consultas com o cardiologista. A reportagem também teve acesso ao acórdão do processo de duas vítimas, cujas denúncias resultaram na condenação do médico na Justiça. O profissional foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e deverá pagar indenização de R\$ 10 mil a uma delas. Na denúncia mais recente, feita em junho deste ano, uma mulher de 53 anos registrou boletim de ocorrência contra o médico, em que diz que teve os seios apalpados. A máscara dela teria sido removida e Nascimento a teria tentado beijar a força pelo menos três vezes. "Entrei no uber desesperada, chorando", conta. "Não é porque a gente é mulher que pode ser invadida. Espero que tomem uma providência", desabafa. Outra vítima ouvida pela reportagem, com 66 anos, disse à reportagem que o episódio envolvendo ela e Nascimento ocorreu em novembro de 2015. O médico teria pedido para que ela removesse o sutiã, colocou as mãos nas pernas dela, e tentou beijá-la. Condenação A sentença, da juíza Elizabeth Lopes de Freitas, da 4ª Vara Criminal de Santos, afirma que o cardiologista molestou uma de suas pacientes, de 56 anos, dentro do consultório, no bairro Encruzilhada, em Santos, em maio de 2017. O médico deu um beijo na mulher, a impediu de sair, e ainda lambeu a orelha dela. No caso da outra vítima, ocorrido no mesmo ano, o documento afirma que médico tentou constrangê-la, com violência, para que tivesse relações sexuais. Ela afirmou que teve que tirar a blusa e o sutiã, colocar um avental com uma abertura na frente, foi pega pelo braço, a abraçou, colocou as mãos nos seios dela, e ainda tentou beijá-la. 'Sistema machista' De acordo com a advogada especialista nos direitos da mulher, Thais Perico, atitudes como estas são um "grande reflexo de que a palavra da mulher vale menos para sociedade". Thais orienta que as vítimas não deixem de procurar por locais especializados em investigações como estas, as Delegacias da Mulher. Pede ainda que não se intimidem diante da falsa narrativa de que a mulher "está louca" ou de que a denúncia não tem sentido porque a conduta do médico sempre foi ótima. "Hierarquicamente, o médico é intocável. A relação médico-paciente faz com que as mulheres se calem", afirma. A advogada ainda faz um alerta para futuras denunciantes. A pandemia prejudicou a ida de acompanhantes aos consultórios, porque é preciso evitar aglomeração e isto prejudica a presença de testemunhas que vejam ou escutem episódios como os das denunciantes. Respostas Em Juízo, o acusado negou as práticas das duas vítimas que o processaram e relatou que há 18 anos não pode ter relações sexuais, porque passou por cirurgia de câncer de próstata. Também informou ser hipertenso e que os remédios que toma diminuem a libido. O médico ainda afirmou ter 52 anos de medicina e que nunca teve nenhuma queixa de pacientes. A reportagem procurou pela defesa de Walter Nei Nascimento, mas o advogado do profissional respondeu que não comentaria as decisões.