[[legacy_image_19665]] Em vez de almoço coletivo, a celebração de Natal, neste dia 25, no Santuário do Valongo, em Santos, foi com distribuição de marmitas e kits de roupas e higiene. Por conta da pandemia do novo coronavírus, os voluntários decidiram mudar a tradição, mas não abriram mão de levar amor, carinho e uma comidinha especial para pessoas em situação de rua ou quem pouco teria para celebrar o nascimento de Jesus. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! Pelo décimo quinto ano, a Ordem Terceira Franciscana, por meio da Juventude Franciscana (Jufra), promoveu a ação. Pelo menos 30 voluntários se revezavam desde cedo para receber doações, preparar as quentinhas e montar os presentes: roupas, calçados e a novidade agora: kits de higiene. “Ficamos em dúvida por alguns momentos se devíamos ou não fazer por conta da pandemia. Mas esse é o momento que eles precisam. Então, adaptamos à situação. Não houve banho. Mas distribuímos os kits de higiene”, conta Rodrigo Rocha da Paixão, 27 anos, coordenador da Jufra. Enquanto os voluntários finalizavam os trabalhos, por volta do meio-dia, uma fila ia se formando do lado de fora do Santuário. Estômago vazio e esperança de dias melhores uniam quem chegava em busca de confraternização e refeição natalina. Adagildo Lima de Jesus, 47 anos, veio a pé de São Paulo até Santos. Está na Cidade há seis dias. Dorme no entorno do Mercado Municipal e descobriu a ação com outros sem-teto. Conta que trabalhava na construção civil, mas perdeu casa e emprego, há anos, depois que passou a consumir drogas e álcool. “Saí por Guarulhos. Peguei o Rodoanel e vim. Foram dois dias. Agora fiquei sabendo desse almoço. É muito bacana. Ajuda muito a gente. Fico agradecido. Quero ver se arrumo um trabalho e saio das ruas”. Aos 65 anos, Cláudio Rodrigues também fica feliz com a atenção recebida. Ele diz que não sabe como seria o almoço de Natal sem essa ajuda. “Aqui é muito especial. Tem carinho e comida de primeira qualidade. É perfeito”. A perfeição que ele ressalta vem forma de quentinha com arroz, frango, macarrão, farofa. Tem sobremesa e fruta, além de refrigerante. Um cardápio farto para Alberto dos Santos. Ele aluga um quarto no Centro a R\$ 350,00. Paga com o auxílio emergencial do Governo Federal. “Só tenho a agradecer pelo almoço especial. Não sei como vai ficar depois que o auxílio acabar. Faço bico de servente de pedreiro, mas está difícil. Momentos assim são muito felizes”. Ver o sorriso no rosto dessas pessas aquece o coração do voluntário Ed Luiz Rocha, 29 anos, que já perdeu a conta de quantos natais se dispõe a atuar pelo próximo. “Sou muito devoto de São Francisco e ajudar os pobres era a missão dele”. O voluntário Alex Sandro Simão, 42 anos, faz parte da comunidade do Santuário desde criança e também faz questão de participar. “É uma experiência gratificante. Essa pessoas acabam sendo marginalizadas. Então, é o mínimo que podíamos fazer e, no final, a gente mais recebe do que dá. Esse é o espírito de Natal”. [[legacy_image_19666]]