[[legacy_image_91973]] Um período importante da história do Brasil vem sendo contado na novela Nos Tempos do Imperador, nova trama da seis da Globo que vai ao ar pela TV Tribuna e tem como personagem central Dom Pedro II. Mas o que nem todos sabem é que o homem que governou o Brasil entre 1840 e 1889 passou cinco vezes por Santos ao longo do século 19, de acordo com o jornalista Sergio Willians, que é pesquisador da história da Cidade. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A primeira visita foi ainda muito jovem, aos 20 anos, em 1846, e acabou registrada com uma placa fincada numa pedra no sopé do Morro São Bento, ao lado das escadarias que dão acesso ao Museu de Arte Sacra. “Ele esteve em Santos em fevereiro daquele ano, voltando do Sul do País. Havia visitado Florianópolis, que na época se chamava Desterro. Depois foi a Porto Alegre, voltou a Desterro, passou por Laguna e veio para Santos”. A passagem de dom Pedro II pela Cidade aconteceu por conta da inauguração do Chafariz da Coroação. “Erroneamente colocaram 1845 no placa, por isso está meio apagado. Teria sido uma brincadeira de algum português”, diz Willians, que vai lançar um livro com essa e outras histórias. A publicação vem sendo preparada desde o ano passado e terá o nome Minhas Aventuras ao Lado de um Jovem Imperador. Em seu blog, Memória Santista, o jornalista relata outras vezes em que o imperador esteve por aqui. “O soberano brasileiro voltaria, ainda, em 1860, 1878, 1886 e 1888. Na passagem de 1886, o imperador estava para completar 61 anos, mas ainda demonstrava certo vigor, haja visto sua agenda de compromissos na cidade santista”, descreve Willians. Segundo o pesquisador, nas nove horas em que permaneceu em Santos no que seria sua quarta visita ao Município, dom Pedro II e sua comitiva visitaram nada menos do que 13 lugares, sem falar da sua ida à São Vicente e à Ponta da Praia, defronte à Fortaleza da Barra, excursionando ainda pelas areias da orla, desde o José Menino. Naquela época, ele estava na Capital Paulista e veio de trem até o Litoral Paulista. O jornalista reproduziu, no blog, uma reportagem produzida pelo periódico carioca Jornal do Commercio em 17 de novembro de 1886. “Logo após a refeição, perto das 12 horas, dom Pedro II dirigiu-se à Matriz (a antiga, que ficava no local hoje ocupado pela Praça Antônio Telles), onde fez oração. Em seguida visitou a Igreja do Carmo, em cuja capela-mór ficava o túmulo de José Bonifácio de Andrada e Silva, seu primeiro tutor, quando tinha apenas 5 anos”, escreveu. À época, ele visitou ainda a Alfândega e o Porto, além do edifício da Câmara (não havia Prefeitura), Júri, Cadeia (atual Cadeia Velha) e Santa Casa da Misericórdia. Naquele dia, dom Pedro II também visitou a casa de Martim Afonso, em São Vicente, e jantou na casa do Visconde do Embaré, antes de retornar à Capital Paulista. Cidade foi inspiração a cenógrafo Cenógrafo de Nos Tempos Imperador, Paulo Renato explica que teve inspirações em Santos para compor os trabalhos na nova trama das 18 horas. Ele nasceu em Botucatu, no Interior Paulista, mas foi criado em terras santistas. A novela das seis aborda o período do Segundo Império no Brasil, quando um dom Pedro II já maduro preparava a educação de suas duas filhas para os compromissos da realeza, até chegar ao conflito da Guerra do Paraguai (1864-1870). “Foi na Baixada Santista, com certeza, que entrei em contato a primeira vez com essa parte da história do Brasil. Percorri a Estrada Velha de Santos, visitei o Pantheon dos Andradas, e convivi diariamente próximo ao Monumento da Independência. Todos são referências marcantes na Cidade”, relata Paulo. O cenógrafo conta que, além de toda pesquisa necessária nas ruas e arquitetura do Centro Histórico do Rio de Janeiro, no Cais do Valongo e Rua do Ouvidor, também levou de Santos muitas das referências para seu trabalho. “Por mais de uma vez, nos últimos anos, voltei a visitar e fotografar o interior da Cadeia Velha, em frente à Rodoviária de Santos, já pensando na proporção dos cenários”. Renato relata que revisitou recentemente as igrejas do Convento do Carmo e Ordem Terceira do Carmo, buscando elementos para compor a arquitetura colonial do período. “Um olhar atento a cada detalhe que ajuda nessas composições”. Ele conta que, em um trabalho de época, a inspiração vem da junção dos mais diversos e variados exemplos. Segundo o cenógrafo, mais do que a simples reprodução estética e de elementos, deve-se transmitir ao público o ambiente como era vivido no período. “Um dos trabalhos importantes que realizei na faculdade foi justamente uma pesquisa histórica sobre a formação original do município de Santos, juntamente com um colega da Cidade, Cláudio Rocha, sob orientação do professor Roberto Segre sobre as cidades latino-americanas”. Retorno Primeira novela inédita da Globo desde o início da pandemia, Nos Tempos do Imperador é ambientada no Rio de Janeiro. A trama de época se desenvolve num Brasil que ainda busca sua identidade e acompanha momentos importantes da vida de dom Pedro II (Selton Mello), da imperatriz Teresa Cristina (Leticia Sabatella), de Luísa, a Condessa de Barral (Mariana Ximenes), além de Pilar (Gabriela Medvedovski) e Jorge/Samuel (Michel Gomes), ao longo dos anos. Escrita e criada por Alessandro Marson e Thereza Falcão e dirigida por Vinícius Coimbra, a obra teve as gravações interrompidas em março de 2020. As filmagens retornaram apenas em novembro. A novela é a continuação de Novo Mundo e os autores escreviam o roteiro desde 2018. Paulo Renato também foi cenógrafo nesta novela e explica que Novo Mundo contou a história da chegada da Corte Portuguesa ao Rio de Janeiro até a Proclamação da Independência, por dom Pedro I, responsável pela formação do Império.