Rei Pelé é a obra que está mais adiantada entre as que o artista quer retomar. A proposta é homenagear o Rei do Futebol com uma espécie de outdoor metálico, com a assinatura do Rei, instalado no Morro dos Limões, na entrada do canal do Porto (Reprodução) Antes mesmo de pisar em Santos, quem chega à Cidade já é recebido pela arte de Ricardo Campos Mota, o Rica. Pela estrada, é impossível não notar O Peixe, escultura que se transformou em um dos cartões-postais da entrada do Município. Agora, nos planos do artista está marcar presença por outra entrada: a do canal do Porto. A ideia é proporcionar a quem vier por ali uma recepção igualmente simbólica, com um monumental tributo a Pelé, instalado no alto do Morro dos Limões, para anunciar aos navios de carga e de cruzeiro que ali começa a terra do Rei do Futebol. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Concluir esse projeto e ver instalado o painel na entrada do canal parecia algo distante há um ano. Em agosto de 2025, Rica lutava para sobreviver após um grave acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, que o deixou em coma por 30 dias. Hoje, depois de meses de tratamento, fisioterapia e uma determinação ímpar, voltou a caminhar e trabalha para viabilizar mais uma obra destinada a permanecer muito além dele. Batalha A recuperação pós-AVC foi lenta e cercada de incertezas. O artista passou por um período crítico de internação e precisou reaprender movimentos básicos. Ainda apoiado no andador, Rica avisa: “Em breve vou descartá-lo e começar a andar sozinho”. Nesse um ano, a força de vontade foi acompanhada pelo apoio incondicional de uma corrente de amigos, entre eles o jornalista Sergio Willians, que semanalmente o busca na clínica e o leva às sessões de fisioterapia, seguida de um café no shopping. Cada conquista física representa também um avanço na retomada da vida e da criação artística. “A reabilitação não é só retomar minha autonomia. É seguir realizando meu trabalho e meus sonhos”, diz. Enquanto recupera os movimentos, ele também mobiliza esforços para transformar em realidade o monumento dedicado a Pelé. A obra de arte Rei Pelé será mais uma de uma galeria a céu aberto que Rica faz das cidades. Além de O Peixe, o artista assina outras peças icônicas espalhadas por praças, ruas e avenidas em mais de 40 anos de atividade. São dele Molecadinha, escultura em aço com a figura de sete crianças brincando de roda em frente à Cadeia Velha; Cuore, em formato de coração em frente à Igreja Coração de Maria, na Avenida Ana Costa; e O Pneu Furou, com a figura de uma bicicleta na ciclovia da orla de Santos junto ao Canal 6, entre outras. Rica se recupera de um AVC hemorrágico sofrido em agosto de 2025 (Alexsander Ferraz/AT) Rei Pelé Enquanto recupera a plenitude dos movimentos, Rica providencia as conversas para avançar com a instalação de Rei Pelé, uma obra concebida assim que o Rei morreu, em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos. A obra pretende chamar a atenção de quem chega a Santos pelo mar e de quem caminha pelo calçadão da Ponta da Praia. Em um suporte de aço com 50 metros de largura, as quatro letras que formam a clássica assinatura de Pelé serão fixadas, feitas de um material resistente às intempéries do clima. À noite, a obra ficará iluminada. Na relação de providências, algumas já foram vencidas, como a autorização de uso da marca Pelé. Faltam, ainda, sinal verde dos órgãos ambientais (já que se trata de área verde protegida) e autorização de uso do espaço. Rica explica que, para reduzir qualquer impacto ambiental, a ideia é que as letras e todos os materiais cheguem por helicóptero. Além da homenagem ao Rei Pelé, também está na prancheta do artista outra obra de arte para Guarujá: Cardume, formada por 19 peixes coloridos com cores e tamanho variados, com até 1,5 metro de altura. A ideia é que sirva de diversão para crianças e que fique instalada em frente ao aquário de Guarujá. Lições Desse um ano de parada para retomar a saúde, Rica diz que muitas lições ficaram. “A primeira e mais importante, embora pareça chavão, é que Deus existe, e precisamos ter fé”, diz. Além disso, descobriu uma legião de amigos e de fãs de seu trabalho, que ajudam a manter o ânimo e a vontade de logo voltar ao trabalho pleno. “Tudo isso é que me dá vontade de seguir fazendo e ir até o fim, de não desanimar”. Outra lição importante vale tanto para a saúde como para os projetos que quer colocar de pé: “A gente aprende a não ter pressa, porque o tempo não somos nós que dominamos. Tudo tem o tempo certo de acontecer”.