[[legacy_image_245934]] Um pequeno grande aliado vem se destacando na luta contra o Aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana, em Santos. Trata-se do peixe larvófago, espécie que mede cinco centímetros e come larvas do mosquito em água parada. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! As primeiras experiências ocorreram em 2018, em uma vala no Monumento Nacional das Ruínas do Engenho São Jorge dos Erasmos, no São Jorge, na Cidade. Depois disso, foram feitas outras experiências para mensurar se, de fato, o combate era efetivo. “Continuamos com as outras atividades, mas percebemos como o combate (de larvas com uso de peixes) foi efetivo. Até os pernilongos diminuíram nos locais onde eles estão sendo colocados”, diz chefe técnica da Seção de Controle de Vetores (Secove), Ana Paula Favoreto. Atualmente, os peixes são usados em ações pontuais, principalmente, em locais onde costuma não haver cuidado, como piscinas sem limpeza garagens de prédios. Eles também vêm sendo postos nos canais da Cidade. “Onde há peixes, não há pesticida”, diz. Segundo ela, recentemente, colocaram-se peixes na garagem de um banco, no subsolo de um edifício na Avenida Pinheiro Machado (Canal 1). No local, a bomba de sucção de água da chuva deu problema, e o local virou um piscinão. No Morro Nova Cintra, uma piscina que estava sem uso há quatro anos também recebeu os peixinhos. No Jabaquara, os combatentes foram usados em uma laje cheia de água. De acordo com a chefe da seção, geralmente depois de uma semana de colocação dos peixes larvófagos, o resultado aparece: não há mais larvas de mosquitos no local. Ela conta que não é apenas o Aedes a vítima desses peixes. Se o local conta com larvas de pernilongos, o banquete fica mais farto para os peixinhos. [[legacy_image_245935]] Origem Esses peixes são cuidados em tanques no Jardim Botânico Chico Mendes, no Bom Retiro. Em cada ação, são cerca de 50 recrutados. Eles se reproduzem em três semanas e morrem em até dois anos, o que auxilia até mesmo na boa manutenção da biodiversidade. Segundo Ana Paula, não se sabe a origem exata dos peixes. Entretanto, as primeiras pesquisas se deram no Morro Nova Cintra, onde foram encontrados. Nos canais de Santos também há boa quantidade desses peixinhos. “Se a gente prestar mais atenção às soluções que a própria natureza nos dá, resolverá muito melhor os problemas”, diz ela. Combate O combate ao Aedes em Santos também é feito com os mutirões, nos quais agentes verificam a existência de larvas em casas e estabelecimentos comerciais. Outra forma bem conhecida de combate ao mosquito transmissor é a dispersão de inseticida, na chamada nebulização costal, com a qual se busca eliminar os mosquitos na fase adulta. Essa não é uma forma de prevenção, mas uma remediação do combate ao Aedes, que se dá em locais onde há confirmação de casos de arboviroses — as doenças transmitidas por eles: dengue, chikungunya, zika ou febre amarela urbana. Infecções No ano passado, Santos registrou 369 casos de dengue e 313 de chikungunya. Neste, foram seis infecções por dengue e uma por chikungunya.