Celebração na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos promoveu a diversidade religiosa (Alexsander Ferraz/AT) A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Centro de Santos, foi palco de uma exaltação à cultura de paz e respeito entre religiões. Esse foi um dos motes da Missa em Memória do Povo Negro - Aos que Não Chegaram, que reuniu adeptos da fé católica, evangélica e das religiões de matriz africana, numa celebração do amor e da tolerância. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Promovida pelo promovida pelo Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e de Promoção da Igualdade Racial de Santos, a missa foi celebrada pelo padre Denilson de Freitas da Silva e teve cânticos afro unidos aos ritos católicos. Ao término, foram distribuídos alimentos e oferecidas bênçãos a pessoas em vulnerabilidade social que estavam na Praça Rui Barbosa. “Estamos passando um período em que a diversidade religiosa é muito importante. Somos um país plural. Precisamos de demonstrações de amor e acolhimento”, afirma o babalorixá Marcelo de Ologunédé. A babá de Umbanda Maria Carolina Fernandes Pimenta compartilha do mesmo sentimento. “Estamos reunidos em nome do nosso Conselho da Comunidade Negra. Para nós, uma vida africana é um passo importante que abre um espaço para consciência na luta contra o racismo, pela igualdade, reconhecimento e a memória do nosso povo e manter o valor da nossa ancestralidade”. Simbologia Coordenador de Promoção de Igualdade Racial, Ivo Miguel Evangelista reforça o simbolismo de celebrações como a de ontem. “É importante que façamos uma missa afro, onde colocamos a parte do candomblé e a do religioso, algo que na época da escravatura já se fazia. E nessa Igreja dos Homens Pretos, o simbolismo é ainda maior”. O presidente do Conselho, Wellington Paulo da Silva Araújo, também vê o local como um ponto de memória, luta e resistência ao povo negro. “Estamos celebrando principalmente aqueles que estão em memória, os que não chegaram. Muita gente que ficou no mar, atravessando do continente africano para o Brasil. Essa memória está sempre nos dando força”. Celebração Padre Denilson resume a missa de ontem como uma lição de comunhão entre pessoas. “Estamos juntos nesse compromisso, em nome da tolerância, do diálogo, em prol de uma sociedade cada vez mais humanizada”, finaliza.