[[legacy_image_221955]] O olhar cuidadoso pelo meio ambiente e a preocupação com um desenvolvimento sustentável são pontos que unem a deputada federal eleita por São Paulo Marina Silva (Rede) e o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ela está no Cairo, no Egito, para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, a COP 27. Ele também foi convidado para participar. A junção de forças, após anos de “rompimento ideológico e programático”, foi um dos marcos da campanha do presidente eleito para seu terceiro mandato. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “A gente não discutia política havia cerca de 14 anos. Uma coisa que foi muito importante para esse reencontro foi ter preservado a base afetiva. Nós nunca rompemos, do ponto de vista pessoal. Quando ele teve câncer, eu fui visitá-lo. Quando dona Marisa (Letícia, ex-mulher de Lula), morreu, liguei para ele, e quando meu pai morreu, ele ligou. A divergência política não pode destruir a nossa humanidade. Então, ter esse espaço preservado foi fundamental”, conta Marina, em entrevista exclusiva para A Tribuna. Segundo ela, uma peça vital na reaproximação de Marina e Lula foi o então candidato a governador, Fernando Haddad. A parlamentar, eleita por São Paulo com 237.521 votos, foi cotada como candidata a vice na chapa do petista, mas declinou. “Havia uma torcida muito grande nos dois partidos. Quando Fernando começou a fazer a sondagem sobre meu nome, para ser vice dele, eu respondia que a recomposição iria acontecer em função da questão nacional. Sentia que precisava estar em Brasília. A Amazônia está em risco, os povos indígenas estão em risco. A sustentabilidade é fundamental, e esse debate é essencial”, exemplifica. Mas não foram poucos os anúncios de encontros entre Marina e Lula. “Toda semana escreviam que íamos tomar café, almoçar, jantar... Eu dizia que íamos acabar lotados de tanta comida (risos). Mas sabia que seria um processo entre eu e o presidente”, relembra. Encontro e promessaMarina Silva conta que foi chamada para uma conversa privada de cerca de duas horas. A partir dela, surgiu outra, pública, onde o compromisso mútuo foi selado. “Sempre falo que as composições da Rede são programáticas. E foi num encontro público que Lula assumiu um compromisso não comigo, mas com o povo brasileiro, de que a política ambiental do País estaria no mais alto nível de prioridade, não só para o governo, mas para ele”, aponta. Para ela, a união de forças entre os dois serviu para ilustrar uma atmosfera de reconciliação ainda mais ampla. “Tem certos momentos na história que há algo acontecendo que você tem que saber que é maior que você”, complementa. Carinho pela CidadeA relação de Marina Silva com Santos é descrita por ela como “mais que afetiva”.Com domicílio na Cidade, ela lembra que o carinho começou por conta do marido que é santista, mas se estreitou por conta de uma questão de saúde. “Entre 1991 e 1992, fiquei um ano e oito meses aqui. Estava com um problema de saúde, e, na época, a Telma (de Souza, hoje vereadora pelo PT) era prefeita. Uma parte do meu tratamento era feito em São Paulo e a outra, era atendida sempre nas emergências, nas policlínicas principalmente. Então, tenho uma relação muito forte”, disse a deputada federal eleita. Turismo O carinho de Marina Silva é canalizado quando o assunto é o desenvolvimento do Turismo na região. Para ela, o potencial a ser explorado é gigantesco. “O ideal é pensar de que forma revitalizar o Turismo, criando novas possibilidades. Vamos ter que partir para um outro modelo de desenvolvimento, onde ele deve ser planejado da forma correta, com critérios de sustentabilidade, é uma atividade de baixo impacto, se observada a capacidade de suporte para determinados lugares, determinadas regiões”. Entender a vocação turística em suas diversas possibilidades, é uma necessidade, na visão da parlamentar. “Precisamos de um levantamento criterioso sobre o que pode ser o turismo de massa. Onde ele seria mais de observação, mais de experiência ou ainda cultural? São coisas que precisam ser estudadas”. Saúde como prioridade Marina também observa a Baixada Santista com potencial para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a cultura da saúde, em especial por conta da grande população de idosos. “O sonho do paulista é esse: poder morar na praia. Isso pode representar uma pressão sobre os serviços de saúde. Os idosos não podem ser tratados como um peso, mas como prioridade. Você deve ofertar não só uma visão de saúde curativa, mas preventiva e, sobretudo, de promoção de saúde”, emenda.