Inaugurada em outubro do ano passado, a chamada Passarela da Santa, que conecta a Praça Outeirinhos (Avenida Senador Dantas) e o terminal de cruzeiros Concais, em Santos, representa um desafio a quem precisa transitar por ela. Quase um ano depois, o equipamento, que surgiu como um facilitador de acesso na região portuária, apresenta pontos a serem melhorados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os três lances de rampa que formam a subida à passarela são desafiadores a idosos e pessoas com mobilidade reduzida. O trajeto é feito ou sob sol a pino ou exposto à chuva, pois não há cobertura, a despeito dos gradis de segurança. Mesmo chegar à passarela com malas, para quem vai viajar de navio, é problemático. “A dificuldade na rampa que eu identifiquei é o acesso, porque as pessoas têm problemas para encontrar a faixa de travessia. Elas meio que passam por espaços irregulares para poder achar esse acesso à passarela”, afirma o comerciante João Paulo Souza, que tem uma loja de ferragens a poucos metros do local. Ao lado da base da passarela, um trecho de ciclovia já desativado ainda serve de caminho para ciclistas que circulam pela Avenida Perimetral ou que vão acessar a passarela. Além de cruzeiristas, andam por ela trabalhadores de terminais portuários localizados nas imediações, como Simone Almeida da Paixão, de Guarujá. “A passarela é segura, mas muito longa e cansativa. Nos dias de chuva, a gente se molha, não tem como escapar. É capa e guarda-chuva”, relata. O analista de recursos humanos Gustavo Caetano, que mora em Santos, aponta a falta de fiscalização de quem cruza a passarela montado em bicicletas. “Tem uma placa sinalizando que não pode subir montado na bicicleta, mas as pessoas ainda pedalam aqui. Isso pode ser perigoso”, relata. Simone: é proteção, mas cansa. Gustavo: bicicletas causam risco (Alexsander Ferraz/AT) Outro lado Em nota, a Ferrovia Interna do Porto de Santos (AG-Fips), responsável pela obra, informa que a passarela é “uma obra de integração Porto-Cidade que tem por objetivo eliminar o risco de atropelamentos e acidentes causados pela travessia de pedestres em nível das vias férreas e na Avenida Perimetral, local de grande fluxo de caminhões e veículos pesados”. Também afirma que o acesso “conta com rampas de acessibilidade, sistemas de iluminação e monitoramento 24 horas que tornam a travessia de trabalhadores do porto e turistas mais segura” e que “o projeto (...) foi executado de acordo com a normativa e aprovado pela APS (Autoridade Portuária de Santos)”. A APS afirma que a passarela “foi construída observando padronizações normativas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes” e que “a dificuldade de acesso na cabeceira da Praça Outeirinhos já conta com projeto conceitual de melhoria, com a instalação de um recuo para parada de veículos, aproveitando a ciclovia desativada”, o que deve adotar “em breve”. O Concais diz que “não houve reclamações de passageiros sobre problemas com a passarela” e que oferece “mais segurança e praticidade também para as pessoas que trabalham com a malha ferroviária e precisam atravessar a avenida”. A obra A passarela tem um percurso de aproximadamente 300 metros, com custo de R\$ 20 milhões, informado pela Associação Gestora da Ferrovia Interna do Porto de Santos (AG-Fips). A estrutura faz parte das obrigações que ela tem em contrato de cessão feito com a Autoridade Portuária de Santos (APS).